24 de nov. de 2011
Oktoberfest, álcool e crianças
Assim é que ostentar choperias ambulantes, ofertar graciosamente e empunhar, sorrindo, canecões do fermentado, ingeri-lo na rua aos borbotões em um desfile alegórico onde há milhares de crianças e adolescente assistindo (e até participando das “alas”) – e, ainda por cima, no caso de 2011, onde o tema dos carros alegóricos eram contos clássicos da literatura infantil mundial – é algo com muito poder educativo (deseducativo?). Ou seja, e em suma, se está a dizer que o consumo de bebida alcoólica é bom e pode ser praticado livremente pelas pessoas.
Não é por ser lícito – até certo ponto, porque há vários impedimentos já mencionados ao consumo, caso das punições da legislação de trânsito – que se torna tranquilo beber em público, num evento que os pais levam seus pimpolhos, e onde estão, queira-se ou não, aprendendo coisas – uma delas: beber é sinônimo de festa, alegria, cultura, diversão, sociabilidade etc.
Qualquer substância psicoativa, como o álcool, pode ser, como se diz, “porta de entrada para outras drogas”. Quando há todo um alarme e esforço da comunidade em barrar o consumo de crack, cocaína, maconha etc., um desfile que faz (ou acaba fazendo) apologia à bebida alcoólica é algo totalmente contraproducente; é contraditório ao esforço de evitar-se o uso abusivo de drogas. Já não basta o alto consumo dentro da festa, se externa isso na um desfile aberto, focado nas famílias, nas crianças.
Acho perfeitamente plausível – além de positivo em vários sentidos – se abolir a ostentação do consumo do álcool no desfile da Oktoberfest, junto com a sua minimização como atrativo da festa – algo que nas últimas edições (desde 2003, por aí, já vem ocorrendo, trocando-se o chope por cucas e instrumentos musicais nas mãos dos bonecos Fritz e Frida – embora permaneçam lá no trevo de entrada da cidade, no Acesso Grasel, convidando os motoristas a tomarem um canecão...). Talvez os grandes fabricantes, fornecedores e comerciantes não fiquem contentes, mas, para a comunidade, seria menos um estímulo drogadição alcoólica.
Não sou “contra o álcool” e gosto de tomar um pouco de vinho, cerveja e aperitivos em alguns momentos. Mas é preciso muita consciência: não estamos lidando como suco de groselha natural. Por seus efeitos nefastos, chope não é algo para se “brincar”, se usar impunemente, ostentar na rua, na frente das crianças e jovens sem que haja consequência no futuro próximo ou distante. Antes de qualquer programa “antidroga”, quem sabe se faz essa reflexão, para não cairmos em ações inócuas; porque “é o exemplo que vale” – não palavras de ordem do tipo “Crack nem pensar”; muita mais eficiência tem a mensagem “Tome chope a varrer” exemplificada num desfile de rua em pleno domingo de manhã na rua principal da cidade...
10 de nov. de 2011
Escárnio e ignorância

Voltando ao assunto da desclassificação de pessoas e sua transformação em objeto de chacota por conta do uso de palavras e expressões que aprenderam desde a tenra infância, por residirem e se socializarem (e adquirirem o seu linguajar) em comunidades mais distantes – em termos físicos, econômicos e culturais – da “boa sociedade”, segue abaixo um artigo publicado na revista Língua Portuguesa (Editora Segmento, agosto de 2011).
Muitas vezes não nos flagramos do quanto somos, nós mesmos, ignorantes aos aspectos da nossa língua e da linguagem humana em si e o seu desenvolvimento social ao longo do tempo. Ao rirmos de alguém que disse “frauta” ao invés de “flauta”, podemos não saber que o próprio Camões, autor do clássico Os Lusíadas, grafou em sua obra (e devia falar) assim mesmo: “sonoras frautas”. Ou seja, muitas e muitas palavras consideradas mais do que “erradas” – consideradas uma “aberração”, um “escândalo” (carça, bassoura, trabesseiro etc.) – podem ser vistas como formas de falar tradicionais, que se mantiveram em alguns grupos e hoje são variantes do que se configurou como “a língua culta”. Há nesses falares algo de uma riqueza histórica, social e linguística, que a avaliação superficial não consegue se deter, porque condena taxativamente e sem base maior.
O escárnio, o sorriso debochado e superior é um riso preconceituoso e, no final, atesta a ignorância sobre a língua portuguesa em sua complexidade.
*E ontem mesmo fiquei pensando que, além de tudo, o preconceituoso priva-se de ampliar o seu vocabulário com expressões e fonéticas “alternativas”; a pessoa nem cogita o porquê o outro fala daquele jeito “errado”, já o descarta; não cogita que existe uma história da língua portuguesa que vem de séculos e que continuará por outros tantos em transformação, com múltiplas influências e formas de manifestação. O preconceituoso é tão autocentrado, tão zeloso da “correção”, que se fecha a tudo que não seja espelho e norma.
**Uma colega me passou um verso do Oswald de Andrade (Vício na Fala) que diz assim:
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
Não é bacana isso? Muito boa a conclusão dele. O que importa é a comunicação. A norma, a “correção” têm seus espaços, mas o que importa é que os telhados são feitos.
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17/08/2011
A tradição da "frechada"
Tendência das línguas românicas, rotacismo não é atraso linguístico, como se acredita
Contam que Probo (Marcus Valerius Probus) foi um sujeito que compilou e listou 227 palavras da língua latina com erros corriqueiros atribuídos à fala ou variedade popular dos plebeus (sermo plebeius), do povão ou - diriam outros - da "gente diferenciada", que compõem o Appendix Probi (Apêndice de Probo). Para servir de cartilha a quem quisesse escrever ou falar conforme o padrão da língua (o dito latim clássico) do século 4 ou 3 antes de Cristo, o autor do apêndice coloca a forma supostamente correta ao lado da "equivocada". No estilo receita: [diga/escreva] x não y.
Tudo isso, autor e data, é fruto de inferências. E, como tal, suportam interrogações, dúvidas e contra-argumentos. O que é fato? O apêndice ou lista ou anexo existe. E é considerado um dos documentos pelos quais se pode ter a descrição do que seria o latim vulgar, falado, popular ou corrente no império romano. É nessa variedade, dizem todos os estudos diacrônicos, que as línguas latinas ou românicas, dentre elas o português, têm suas bases.
Antepassados
A piada é que muitas formas tachadas como erradas são hoje as consideradas corretas. Eis alguns casos: masculus non masclus - donde veio "macho"; ansa non asa; oculus non oclus - donde veio "olho"; mensa non mesa; rivus non rius - donde veio "rio"; viridis non virdis - donde veio "verde", e por aí vai. Um exemplo, que mexe até com "verdades" politicamente incorretas, tem a ver com o rotacismo: aquela alteração fonética que consiste em se realizar r no lugar de l, como em "crasse", "frauta" e "pranta" ("classe", "flauta" e "planta").
É comum haver pressa em dizer que esse processo fonológico ou metaplasmo, dentre outros, resulta de nossa herança linguístico-cultural alicerçada nas culturas e línguas indígenas e africanas. Na música Tiro ao Álvaro, de Adoniran Barbosa, vale destacar a ocorrência do rotacismo nos trechos "frechada do teu olhar" e "bala de revórver". Essa troca não é exclusiva do dialeto caipira paulista. Pode ser encontrada em todas as regiões brasileiras e está mais relacionada a variáveis ou aspectos sociais, como a escolaridade do falante, do que a motivos dialetais circunscritos a uma determinada região.
A ocorrência de rotacismo, no entanto, é destacada pelos historiadores da língua desde o latim. Representa, assim, uma tendência românica. No apêndice há pelo menos um caso (flagellum non fragellum), que, já naquele momento, estava listado como erro. E também é registrado em diferentes fases históricas do português. Isso denota que pode se tratar de um caso de manutenção e não de inovação do português brasileiro.
Eis dois exemplos de autoridade.
Em versões de Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões (1524-1580), que mantêm a ortografia das primeiras edições, encontramos "frautas" no lugar de "flautas", no verso 6, estrofe 64 do canto 9°. E, da mesma forma, no Auto da Barca do Inferno (1517/19), de Gil Vicente (1465?-1537), está escrito "berzebuu" (que se indentifica com "revórver") em vez de "belzebu" no verso 12. Quer dizer, a ideia de que foram os índios e negros, que provocaram a vibração de l no nosso jeito caipira de falar, não passa de lenda e de muito labéu étnico e social.
É difícil contestar que algumas características encontradas em nosso diversificado modo "brasileiro" de falar - reconhecido e evidentemente distinto do modo "português europeu", "africano" e "asiático" de falar - não podem ser tratadas como fenômenos surgidos exclusivamente em terras brasileiras por conta da nossa história social: contexto em que indígenas e africanos falavam o português, introduzindo nele realizações sonoras, lexicais e sintáticas nunca ditas e ouvidas ou escritas e lidas antes.
Não só brasileiro
A ideia equivocada de inovação advinda da propagada miscigenação brasílica (índio, branco e negro) é frutífera não só em se tratando de fenômenos linguísticos, estritamente. Certo é que, por meio de manuscritos e impressos de tipologia e datação variadas, podemos trazer, para o presente, elementos da nossa vida social do passado e rememorar nosso itinerário cultural e linguístico. Memórias capazes de desvendar o que, numa leitura célere, asinha, pode parecer inteligível para muitos de nós. E possibilitam a (re)interpretação de conceitos e preceitos ditados às vezes como verdades absolutas.
Essa constatação ganha cores e porosidade se concentrarmos a reflexão no nível vocabular da língua. Porque a investigação nesse patamar semântico-lexical nos leva mais longe: ao nível cultural, trazendo à tona provas ou suspeitas de que muitos aspectos da nossa cultura - com seu "jeitinho" de ser ou de resolver as coisas - não devem tributo à mistura branco, índio e negro, como muita gente insiste em nos imprimir a ferro em brasa...
Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida é professor pesquisador livre-docente na área de filologia e língua portuguesa da USP, cnpq
FONTE: http://www.revistalingua.com.br/textos.asp?codigo=12376
26 de out. de 2011
Gadgets: sendo e consumindo objetos

Achei na Wikipédia um texto sobre os gadgets – termo que se refere a equipamentos eletrônicos e softwares que surgem no mercado e agregam-se a outros como novidades. Não sabia, mas há uma ligação do termo com a psicanálise desenvolvida por Jaques Lacan (na foto acima). Ele se referia aos gadgets como
“objetos de consumo produzidos e ofertados como se fossem 'desejos' pela lógica capitalista - na qual estão agregados o saber científico e as tecnologias em geral. Dentre estes gadgets, diz Lacan, encontram-se os 'sujeitos-mercadorias', aqueles que incorporam de forma um tanto psicótica uma atitude de objetos de consumo breve e que, por isso, investem suas energias em provar-se 'consumíveis' ou 'desejáveis' aos olhos de eventuais parceiros ou do mercado, o grande senhor contemporâneo. Pela perspectiva lacaniana estes sujeitos-mercadoria não são de fato sujeitos, já que consomem 'objetos' e ofertam-se ao consumo por 'objetos', não ao estabelecimento de laços sociais.
Quando li essa definição, fiz uma associação direta ao folder que me enviaram esses dias sobre um “Curso de Sensualidade” para mulheres, que ocorreu dias atrás aqui na cidade. Na foto, uma “jovem-senhora” mostra “sensualmente” suas pernas, sentada em cima de uma mesas de acrílico, com trejeitos no olhar e outras jogadas corporais “insinuantes”. O curso se propõe a isso: dar uma melhor apresentação as e desenvoltura a mulheres, desinibindo-a e ensinado-lhes “truques” – tudo a fim de atrair sexualmente seus parceiros também padronizados, ávidos por uma suculência sexual, como as apresentadas nas clássicas "revistas masculinas"...
Sobre os parceiros fazerem algum curso semelhante... nem se cogita. Cabe a mulher ser “desejada” e “co(nsu)mida”. A cultura da sujeição, da submissão, da “objetização” da mulher. Como diz Lacan (morreu em Paris em 1981), postam-se como objetos de consumo, não mais que gadgets. Triste papelzinho, reforçado todos os dias por milhões de mensagens louvando a adesão a padrões comportamentais acríticos, falsamente libertários, mediocrizantes.
Abaixo, o termo gadget como estava na Wikipédia quando a acessei.
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Gadget (em inglês: geringonça, dispositivo) é um equipamento que tem um propósito e uma função específica, prática e útil no cotidiano. São comumente chamados de gadgets dispositivos eletrônicos portáteis como PDAs, celulares, smartphones, leitores de mp3, entre outros. Em outras palavras, é uma "geringonça" eletrônica.
Na Internet ou mesmo dentro de algum sistema computacional (sistema operacional, navegador web ou desktop), chama-se widget, mas vezes também chama-se de gadget algum pequeno software, pequeno módulo, ferramenta ou serviço que pode ser agregado a um ambiente maior. No site iGoogle, por exemplo, é possível que seja adicionado alguns dos muitos gadgets disponíveis. O Google Desktop, o Windows Vista (e também o Windows 7), o Mac OS X, o KDE e o Gnome são ambientes que aceitam alguns tipos de gadgets específicos, acrescentando funcionalidades ao desktop do sistema.
Os Gadgets têm função social de status (além da lógica finalidade do aparelho), quando se tratam de equipamentos ostensivos. Na medida a que se referem, em sua maioria, a equipamentos de ponta e por muitas vezes com preços elevados, a gíria Gadget é referência de produto tecnológico para poucos, embora seja usada de forma genérica quando se trata de software.
28 de set. de 2011
Partido Pirata

Fiquei muito interessado em uma notícia que saiu na semana passada: o Partido Pirata da Alemanha conquistou, no parlamento regional de Berlin, 15 cadeira na eleição ocorrida no dia 18 de setembro.
E destaco o seguinte do texto:
“Assim como os Piratas foram a surpresa positiva na eleições alemãs, os tradicionais partidos A Esquerda e Verde amargaram uma queda de cinco pontos percentuais no número de votos recebidos, em relação ao pleito anterior.”
Mesmo sem ter uma análise maior da situação, me parece que o esgotamento dos discursos de políticos ecologistas e esquerdistas de várias facções, junto com a nova sociabilidade trazida pelas tecnologias de comuicação via internet, estão produzindo uma nova conformação da juventude européia – e que se “espraia” pelo mundo afora, tendo, assim, surgido um novo canal de expressão e ação ideológica “partidária”, canalizando e catalisando a rebeldia outrora contida nas agremiações ligadas à retórica socialista, social-democrata e "verde".
Talvez tenhamos aí uma nova postura da juventude politizada; formou-se um caldo cultural a partir do uso cada vez mais intenso das TIs, ao mesmo tempo que os discursos de “esquerda” e de “direita” se esfarelam na velha mesquinharia, hipocrisia e paranoia própria do jogo do poder político-partidário e governamental.
Dando livre curso ao pensamento, acho que aqui no Brasil, o PT parece estar “envelhecido” e tem se tornado cada vez mais um partido governista, que se usa de práticas antes condenadas veementemente – embora possamos localizar avanços em seus governos. Os demais partidos de esquerda estão ideologicamente fossilizados. Os sem-ideologia, que são apenas siglas vazias, continuam suas trajetórias fisiológicas, sem dizer mais nada para às gerações contemporâneas, especialmente para as camadas de jovens com algum nível de criticidade e para além dos cooptados em aparelhos partidários.
Segue mais abaixo a notícia referida e também um link para um entrevista já “antiga”, de 2009, onde Jorge Machado, sociólogo e professor universitário, e Guilherme Bellia, estudante de comunicação, falam sobre a proposta do Partido Pirata no Brasil. Selecionei o seguinte trecho da entrevista deles:
“A diferença do Partido Pirata está muito mais no método. É livre, aberto e colaborativo. Com este método você pode trabalhar com qualquer pauta. Por exemplo, habitação. Para discuti-la, primeiro, vamos expor quais são os recursos disponíveis, as demandas, os movimentos sociais, as secretarias, interesses envolvidos e, enfim, fazer tudo de maneira transparente. Como eu disse, estamos hackeando a política. Estamos focados em questões que estão nas raízes da política: transparência, construção colaborativa, direitos civis e humanos. Só de respeitar tudo isso, já fortalece a democracia. Para termos maior abrangência em outros assuntos e desenvolvermos pautas específicas, claro, nós precisamos crescer em contingente. Precisamos de mais pessoas tratando de educação, por exemplo. Podemos fazer uma proposta de modelo de escola livre, que forme pessoas que pensem, critiquem e questionem as coisas, não uma escola que discipline as pessoas para que tenham um comportamento padrão. Com plataformas abertas, podemos permitir que este tipo de proposta surja.”
Link: http://info.abril.com.br/
Falou!
*Aliás, tem uma outra coisa rolando por agora nos EUA (notícias na imprensa de 03/10/11), nas mesmas bases do Partido Pirata, mas sem estruturação partidária, que é o movimento "Occupy Wall Street", coalizão de movimentos menores, majoritariamente formada por jovens se organizando via internet.
Na última ação "não-virtual" em Manhattan, quando vários foram presos por bloquearem a ponte do Brooklin, os caras estavam dizendo coisas como:
"Este não é um protesto contra a polícia de Nova York. É um protesto de 99% da população contra o poder desproporcional de 1% que controla 50% da riqueza do país."
"Não é justo que nosso governo ajude as grandes corporações e não as pessoas."
Não é algo novo. Mas é nova a forma da mobilização, com lideranças bem mais rarefeitas e sem bandeiras de partidos, se usando intensamente das redes sociais etc.
**Aliás "2", aqui mesmo na Santinha, a partir de uma postagem no Facebook, o cara desencadeou um protesto contra a lotação dos ônibus que fazem linhas intermunicipais na região, obrigando a empresa a "se explicar" e respaldar-se em "autorizações" absurdas do DAER, que permite o cara viajar de pé, sem comodidade e segurança alguma, em estradas movimentadas - enquanto eu preciso (e faço questão de) ter uma cadeira de mais 500 reais para levar a minha filha na escolinha, e, se for flagrado sem, serei multado e não sei mais quantos pontos na carteira e incomodações variadas... Redes sociais pautando a imprensa e colocando empresas e órgão de governo em saias justas... Baita irresponsabilidade e mesquinharia de empresas de transporte de passageiros com a conivência (parceria?) do Estado.
Taí o link da notícia se alguém não viu e quer dar um bizu:
http://www.gaz.com.br/noticia/303860-superlotacao_de_onibus_tortura_passageiros.html
***Outro comentário: Saiu na imprensa em 28 de setembro o seguinte: o Congresso Nacional ouviu a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), instituições que reúnem renomados cientistas do país. Porém, mesmo com toda a base do mundo para fazer as indicações, o relator do projeto do Código Florestal na Comissão de Meio Ambiente, senador Jorge Vianna, disse que “algumas das sugestões” desses estudiosos devem ser incorporadas ao texto. Algumas, cara pálida? Como assim? É como se um corpo de médicos recomendasse ao paciente moribundo um série de restrições para garantir-lhe a sobrevivência e cura, e o cara simplesmente dissesse que talvez acate alguma recomendação... No caso do meio ambiente, a questão é muito mais séria, porque implica na vida da coletividade humana e dos demais seres da Terra. E o senador diz uma coisa dessas, que “algumas devem ser incorporadas”... Não se tratam de “opiniões”, mas, se deve supor, são indicações a partir de avaliações com o máximo de correção, porque feita por cientistas de alto nível.
São os interesses mais imediatistas conduzindo a política. No jogo do poder, vale manter medidas que ameaçam as gerações no longo prazo, mas que garantem apoio a partidos e candidaturas, afora outras possíveis vantagens pessoais para alguns. Sei que deve haver “negociações” para garantir ao menos algum avanço, mas não deixa de ser algo extremamente decepcionante abrir mão do “conhecimento científico” pelo “interesse político”.
Segue a notícia:
Cientistas apresentam relatório com críticas ao novo Código Florestal
Publicado em: setembro 28, 2011
Fonte: Ruralbr
Audiência conjunta no Senado reuniu pesquisadores e as três comissões que analisam a matéria
A opinião de cientistas sobre mudanças no Código Florestal foi ouvida no Congresso Nacional durante audiência com as comissões de Meio Ambiente (CMA), de Ciência e Tecnologia (CCT) e Agricultura (CRA) do Senado. Representantes da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira do Progresso para a Ciência apresentaram suas considerações para sete senadores que participaram da audiência pública. As críticas da ciência foram organizadas em um relatório único e a tendência é que algumas sugestões sejam aceitas.
Os cientistas da SBPC apresentaram, pela primeira vez, um documento com críticas a 10 pontos do texto atual, em debate no Senado. As mudanças, segundo eles, podem trazer consequências negativas para o meio ambiente. Segundo o membro da SBPC, Ricardo Rodrigues, um dos aspectos fundamentais está relacionado com as áreas de preservação permanente.
-Existe um grande número de estudos, mostrando que a reestruturação dessas áreas é fundamental para que ela volte a cumprir os serviços do ecossistema da mata ciliar – apontou Rodrigues.
Os cientistas acreditam que as contribuições da ciência estão mais próximas de serem levadas em consideração.
-O Senado está muito mais atento às questões ambientais e eu não tenho dúvida que várias dessas sugestões vão ser atentadas nessa votação – afirmou o membro da SBPC.
Para o representante da Associação Brasileira de Ciências, Elíbio Rech, é fundamental que exista um pacto de desenvolvimento para o país.
-Esse pacto vai envolver um consenso entre o uso racional e sustentável da biodiversidade e a produção – disse Rech.
O relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente, senador Jorge Vianna, afirmou que algumas das sugestões devem ser incorporadas ao texto. Vianna manteve ainda a promessa da realização de um relatório conjunto sobre o tema.
-Eu e o senador Luiz Henrique estamos trabalhando em conjunto e acredito que seja possível encontrarmos soluções aos desafios que a matéria do Código Florestal nos traz – afirmou Vianna.
A expectativa é que o projeto seja votado na Comissão de Ciência e Tecnologia até o dia 20 de outubro.
30 de ago. de 2011
Estação Espacial Internacional, supermercados e o fim da ilusão do liberalismo capitalista
Mas a notícia fala de um problema no sistema de propulsão, que fez cair um foguete russo, que estava levando mantimentos para Estação Espacial Internacional (“a nave não-tripulada Progress M-12M transportava cerca de três toneladas de provisões para a tripulação da ISS”, 25/08/11). O drama é que os EUA não teria como refazer o transporte, já que seu programa de ônibus espaciais foi desativado, e novo programa norte-americano vai demorar mais não sei quantos anos para voltar às viagens para fora da Terra. Ou seja, tudo depende dos russos para manter-se o abastecimento do projeto que envolve principalmente os dois países (EUA e Rússia), entre mais alguns. Ou seja, a Rússia, por sua herança soviética, consegue manter o programa espacial pela agência Roscosmos; os EUA, obrigou-se a cortar verbas da Nasa.
Aliás, também na semana passada, li uma nota na coluna de economia (informe Econômico, de ZH, p.20, 24/08/11) sobre um pronunciamento do presidente da Agas (supermercadistas) na Expoagas (fornecedores de supers). É sobre o “avanço desmedido” de grandes multinacionais do setor, o Sr,. Antônio Longo disse “em alto e bom som”:
– É preciso ficar atento à autorização da construção de grandes empreendimentos, sem qualquer análise. Qualquer país protege suas empresas, regulando o crescimento da economia de forma salutar.
Bah! Baita declaração do intervencionismo estatal, poderíamos dizer. Liberais empedernidos, do IEL, que pedem a toda hora o fim do Estado, deveriam fazer uma passeata na Expoagas, pedindo as tripas do empresário e dirigente da corporação supermercadista dos RS...
10 de ago. de 2011
Vereadores: 11 é pouco, mas Câmara precisa melhorar muito
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Não avultando os custos, sou favorável a ampliação do número de vereadores em Santa Cruz. Quem quer democracia, quer ampliar a representação da população na câmara, entrado mulheres, por exemplo, que não existe uma sequer, entre outros segmentos e até partidos sem representação no legislativo local.
Câmaras de vereadores, assembléias legislativas e outros mecanismos são essenciais na democracia, e sua qualidade depende muito do voto do/a cidadão/ã. "Jogar a culpa" da política podre e medíocre nos vereadores é esquecer quem os elege. São retratos do povo, ou seja, meus, teus, nossos.
Ter maior participação no processo político – e não simplesmente manter ou diminuir vereadores – me parece o melhor caminho. Discutir não só na hora de querer cortar gastos com supostos inúteis. Radicalizando, poderíamos dispensar todos os parlamentares e demais cargos políticos eleitos e deixar que um "Hitler" nos governe... No começo, poderia sair mais barato...
Além da "baixa produtividade", acho que a pequena representação numérica na Câmara também colabora para a aprovação de projetos absurdos, já que a possibilidade de haver contestação é menor com um número diminuído de vereadores. Santa Cruz, democraticamente, está perdendo muito com essa baixa proporção entre eleitores e vereadores. Vale Verde tem 2.850 eleitores e 9 (nove) vereadores. Santa Cruz, 90.670 eleitores e 11 (onze) vereadores...
A mobilização que está acontecendo tem vários lados positivos. O empenho das pessoas preocupadas com os gastos públicos é um dessas facetas. Mas falta abordar e aprofundar o tema do poder, da democracia e da participação popular, ou seja, da cidadania em amplo sentido. Não são assuntos muito simples. Para os vereadores, fica o alerta: parece que suas atuações estão deixando muito a desejar, pelo investimento que a população faz para mantê-los e manter toda a estrutura da Câmara.
5 de ago. de 2011
Hendrix e a influência da tecnologia musical portuguesa na vida do guitarrista
Ao falar da Amy, falei do Jimi, dois talentosos artistas mortos por conta das decorrências do abuso de álcool e outras drogas ao longo de suas breves, intensas e conturbadas vidas. Considerado o maior guitarrista da história, de descendência afro e indígena, nascido nos EUA dos anos de 1940, teve como seu primeiro instrumento de cordas uma espécie de pequeno violão ou cavaquinho de quatro cordas de origem portuguesa, o ukelele, originalmente (e com outro nome) trazido por portugueses da Ilha da Madeira direto para o Havaí provavelmente no final dos anos de 1700, quando a ilha iniciou o cultivo e beneficiamento da cana de açúcar, outra tecnologia dominada pelos lusos com maestria (e que também tem apropriação de anteriores conhecimentos árabes, hindus e chineses).
Nessa peculiaridade de Hendrix, que, ainda na infância, ganha de seu pai um instrumento musical da tradição lusitana, vemos, mais uma vez, a multiplicidade das influências étnico-culturais – consubstanciadas também em tecnologias para a produção de sons musicais por percussão de cordas – compondo uma personalidade e suas habilidades.
E quantas centenas ou milhares de pessoas se cruzaram direta ou indiretamente no afloramento e manifestação da musicalidade de Jimi Hendrix? Se considerarmos só um outro elemento básico do seu instrumento, como o captador elétrico da sua primeira guitarra, comprado por 5 dólares em Seattle, quantos e quantos conhecimentos desenvolvidos por inúmeras pessoas em diferentes épocas acabam entrando neste "bland"? Poderíamos começar com o circunspecto inglês James Maxwell, que desenvolveu as equações físico-matemáticas que possibilitaram a “visão” e manipulação do eletromagnetismo...
Muita água rolou até o estrelato de Jimi em Londres, do outro lado do mundo, culminando em sua lamentável e precoce morte...
