21 de fev de 2009

Darcy: intelecto, coração e ação


Faz “o” tempão que não escrevo aqui no grupo. Estava sentindo falta de encher os tubos (ou as caixas) de vocês! Fiquei desconectado por problemas aqui no meu PC. Obriguei-me a deletar as mensagens passadas para desatravancar as coisas aqui na minha máquina temperamental, velha e encarquilhada. Imagino que os ânimos devem ter baixado, já que sou um “elemento” que insiste em dar socos no ar e “responder” as diatribes do Xandu.

A novidade é que troquei as mulheres (por enquanto...) por um homem. To falando dos meus “estudos”! A última “musa” foi a Ana Miranda, de quem, aliás, li, na semana passada (Correio Caros Amigos), uma crônica sobre matrimônio, dizendo que para os professadores da religião judaica não existe o “até que a morte os separe”. Mas troquei a Ana pelo Darcy Ribeiro [ilustração acima], antropólogo, educador, político e escritor. Estou encantado! Apenas havia lido coisas esparsas e, pela primeira vez, tento lê-lo com mais dedicação, começando com o Confissões, livro de memória – onde cada capítulo tem uma ilustração minimalista do gênio Oscar Niemeyer) que ele escreveu pouco antes de morrer. (Li boa parte do Diários Índios, que já mencionei aqui, onde Ribeiro reproduz suas anotações de campo enquanto conviveu com os Kaapor.) É muito bom, porque aborda a sua obra de cientista social e literato pelos bastidores, pelos fundos. Fala desbragadamente da sua vida de intelectual e político brasileiro. O cara teve uma vida intensa, onde não faltaram a paixão pelas mulheres e pelas pessoas no geral, em destaque os brasileiro. Estudou em profundidade os povos aborígenes. Conviveu diretamente com as personalidades mais proeminentes do seu tempo no Brasil e no mundo, como Jango e JK, Che e Kennedy, Pablo Neruda e Salvador Allende. Foi ministro da educação, chefe da casa civil, secretário da cultura; fundou a UnB, o Museu do Índio e conheceu o Brasil como poucos, e o mundo em suas inúmeras viagens, tendo morado no Peru, na Venezuela; conheceu a URSS, Cuba e todos os principais países da Europa. Na ditadura, foi preso e viveu no exílio, começando pelo Uruguai. Suas narrações são ricas sobre este período pré/pós-golpe e muitas coisas ficam mais claras.

Já estou adiantado num romance dele, o Maíra, e lendo partes da sua obra derradeira de cientista social, o O povo brasileiro. Quando der, quer transcrever uma partes deste livro pra vocês (para quem se dispor a ler).

*Enviado em novembro de 2005 para uma lista de debates de amigos (Bolori Groups). Neste período, li fragmentos de outros livros e materiais, vi entrevistas e conversei com algumas pessoas sobre esse importante intelectual engajado. Um exemplo de existência humana mergulhada na mundanidade elevada por um amor à vida.


**No blog luiscarlosgusmao.blogspot.com fico sabendo que a "Mangueira promete dar a volta por cima fazendo uma homenagem ao povo brasileiro em 2009. Para isso, a verde-e-rosa levará para a Avenida o enredo 'A Mangueira traz os brasis do Brasil mostrando a formação do povo brasileiro', inspirado no livro 'O Povo Brasileiro, a formação e o sentido do Brasil', do montes-clarense [MG] antropólogo Darcy Ribeiro."


***Do mesmo blog, retirei a ilustração e a seguinte declaração de Darcy, feita na Sorbbone :


"Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que me venceram nessas batalhas."

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