22 de dez de 2011

Depois da festa...

Repasso o link (ou um dos links, pois há varios na internet) para um filme publicitário produzido pela TAC, Transport Accident Comission, da Austrália (http://www.tac.vic.gov.au). É muito bem feito e “dando a real” da combinação trágica da ingestão de álcool e outras drogas psicoativas e a direção de automóveis – e motos, caminhões, ônibus, bicicletas, patinetes...


Muita gente sofre. Até inocentes completos morrem ou se traumatizam terrivelmente – física e psicologicamente – por conta da imprudência e falta de ações mais concretas “desincentivando” o consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, apoio a criminalização da embriaguez no volante, sem esquecer de investir pesado em campanhas contra o consumo irresponsável (beber e dirigir, por exemplo, e que vá bem além do hipócrita e ineficaz “Se beber não dirija”).

Mas não basta isso, claro. Álcool, a bebida alcoólica de qualquer tipo e teor, é um droga por demais perigosa para se continuar fazendo publicidade aberta e vendendo-se em prateleiras de qualquer supermercado – como se fosse algo como farinha de trigo, suco de laranja, leite, feijão, margarina. Assim, as empresas de bebidas, os comércios que a vendem (postos de gasolina jamais deveriam vender), as pessoas que se pre$tam a fazer propaganda etc. devem ser responsabilizadas pelos efeitos negativos, pessoais e coletivos, diretos e indiretos, derivados do estímulo à bebida.


Aliás, para mim, são vergonhosos casos como do atual técnico da seleção brasileira de futebol (esporte e álcool?) e a musa do pop baiano (diversão e álcool?), atingindo todas as pessoas, inclusive crianças, reforçando associações positivas do consumo da cerveja. Aos dois, o meu desprezo por este desserviço, por essa atitude inconsequente em nome do vil metal. A eles, ofereço o vídeo abaixo como um outro pagamento.

http://www.youtube.com/watch_popup?v=Z2mf8DtWWd8&vq=medium


*Conforme pude entender das informações do site, o TAC é uma organização governamental criada em 1986 no estado de Vitória, Austrália. Seu papel é pagar o tratamento e os benefícios para as pessoas feridas em acidentes de transporte. Ela também está envolvida na promoção da segurança rodoviária e na melhoria do sistema de atendimento a acidentados.


**Filme impactante, mesmo! Emociona e revolta. Meu comentário (acima) veio desse absurdo em se tratar o álcool “festivamente” ou com um problema secundário. Ao mesmo tempo, há uma enorme preocupação, quase paranoica, com o crack – sendo a bebida alcoólica empunhada como se fosse suco de groselha nos desfiles da Oktoberfest em pleno domingo de manhã na rua principal, para o aplauso de milhares de crianças encantadas. Não dá vontade de mandar esses caras a... para bem longe! Não que eu seja moralista em relação ao álcool – acho que é um baita refrigério mental para uso eventual por adultos saudáveis e não propensos à compulsão. Mas se deveria evitar toda a propaganda de bebidas – além da TV, jornais, revistas, pontos de venda (até choperias não deveriam ter alusões ao consumo em suas fachadas) –, também esse tipo de merchandising em desfile de Oktober e em monumentos, caso do Fritz e da Frida no Acesso Grasel (aqui em Santa Cruz), deveria ser abolido. Parece radical, mas querem uma juventude menos drogada? Então vamos cortar na própria carne, rapaz!

Sessão Exclusão


Pessoal,

Estou compartilhando com algumas pessoas o meu questionamento quando a uma postura na divulgação da sessão do Amigos do Cinema que vai ocorrer hoje, 19/12. Recebi o convite e fiquei indignado com o que está dito. No final do texto escreveram assim:

Será uma forma singela [a sessão de cinema em Linha Santa Cruz, com o filme A Ferro e Fogo, a partir da obra homônima de Josué Gimarães, autor que aparece na foto acima] de lembrar a data da chegada das seis primeiras famílias de imigrantes alemães em 19 de dezembro de 1849, provenientes da Silésia e do Reno, na “Alte Pikade” (Picada Velha) como se denominava Linha Santa Cruz na época, iniciando-se assim a sua história e também de Santa Cruz do Sul e região.

Como assim “iniciando-se assim a sua história [dos ‘alemães’ na região] e também de Santa Cruz do Sul e região”??? Ou seja, estão dizendo que os “alemães” começaram TUDO por aqui, até mesmo a história da região? Na minha visão, trata-se da continuidade de uma mentira, de uma manipulação ideológica, uma ignorância sobre a historiografia local e regional – tudo isso misturado.

Não gostei. Até pode ser legal relembrar os antepassados e homenagear seus esforços, mas não precisavam insistir neste conto moral apologético à beira do racismo. Todos os outros grupos e personalidades “não-alemãs” são subalternizados, invisibilizados nessa “nossa história”. Meus vizinhos negros do bairro Linha Santa Cruz, as muitas famílias mestiças, os sem-descendência “germânica”, toda essa gente mais uma vez vai ser “catequisada”; ficarão “sabendo” que são párias e só chegaram depois de toda a maravilha estar pronta pelo esforço dos “donos da história”. Enfim, tudo aquilo que lutamos para relativizar, incluindo o que de fato é: há muito mais diversidade e vários outros grupos étnicos na construção da sociedade santa-cruzense.

Acho que o Amigos do Cinema estão envolvidos num tipo de comemoração que não faz jus a amplitude do cinema e as possibilidades de reflexão e criticidade que muitos filmes podem nos suscitar.

Abaixo, segue o “retorno” que enviei ao pessoal que me enviou o convite, além do texto completo do convite mencionado.

Até mais!

Iuri


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Muito boa iniciativa de fazer a sessão do Amigos do Cinema em Linha Santa Cruz. Bem como relembrar a trajetória dos imigrantes germânicos no RS e em Santa Cruz. Mas tenho que discordar de algumas alusões, em especial o que está dito na frase final do convite, ou seja, que a “chegada” (a palavra deveria ser “introdução”, por trata-se de um projeto de colonização do governo provincial) dos imigrantes “alemães” (em termos de designação, trata-se de uma outra imprecisão) teria iniciado “a sua história [dos imigrantes] e também de Santa Cruz do Sul e região”.

Não vou dizer que é uma inverdade, mas está muito próximo disso. Se não é fruto da ignorância, trata-se de uma manipulação ideológica, que subverte a historiografia e produz uma subalternização e invisibilidade a outros grupos e personalidades “não-alemãs” aqui do município e região. Uma enorme injustiça e violência simbólica contra quem também esteve aqui e desenvolveu Santa Cruz – antes da chegada de qualquer europeu do norte.

Para quem se dispor a estudar a história local para além das rasas narrativas apologéticas germanófilas, algumas à beira do racismo, saberá que a ocupação da região inicia-se com grupos indígenas, destacando-se os antepassados e os atuais kaingangs e guaranis. Especificamente, temos o Faxinal do João Faria, povoado bem anterior a colonização germânica. É ali que surge a cidade de Santa Cruz e onde são recebidos (após desembarcarem em Rio Pardo), os novos assentados europeus, contando, em suas primeiras levas, com subsídios do governo, incluindo cerca de 72 hectares de terra.

João Faria Rosa era um sesmeiro, cujos trabalhadores escravizados, parentela, agregados e famílias avulsas perfaziam o Faxinal. O neto de João Faria recebeu e acantonou no sobrado familiar os primeiros sem-terra germânicos, conforme registra Bittencourt de Menezes na publicação de 1914, “Município de Santa Cruz”. As primeiras vias e loteamentos rurais foram feitos com recursos públicos e realizados por técnicos e capatazes lusos e trabalhadores negros escravizados, entre outros trabalhadores humildes. Holandeses, belgas, russos, austríacos e até cearenses, entre outros grupos – além da miríade de pessoas de regiões que só mais tarde vieram a se tornar o país Alemanha e vizinhanças –, foram assentados ao longo dos anos. Quilombolas e indígenas continuaram existindo, buscando sobreviver a ocupação branca, conforme registro de historiadores como Jorge Cunha.

Por anos estamos lutando para que não se “patrole” e se perverta a historiografia em nome de orgulhos étnicos que, de tão “orgulhosos”, “esquecem” e subestimam todos os outros grupos e pessoas sem determinados sobrenomes e fenótipos. Acho que a associação de moradores, a escola e o Amigos do Cinema prestam um desserviço nesse sentido da integração e comunhão comunitárias, porque estão insistindo em homenagens sem lastro histórico verídico e completo, eivadas de ideologia e sentimentalismo étnico-racial. Há uma vasta e interessantíssima história das comunidade teuto-brasileiras que dá lugar a mixórdias artificiais, como já denunciou Flávio Koth, santa-cruzense professor da UnB, entre outros estudiosos sérios.

É o que eu penso. Abraço do

Iuri.


***Interessante que ninguém do Amigos do Cinema (nem quem me enviou o e-mail) se manifestou. Talvez ignoraram ou ficaram envergonhados... O pior é ignorarem. Acho que alguns simplesmente ignoram, porque têm uma posição sectária sobre o assunto e não admitem questionamentos, porque isso “abala as estruturas” – inclusive de suas personalidades, calcadas numa construção indenitária onde os “meus antepassados são os melhores mais importantes”.

***Muito obrigado pela atenção. Muito bom que houve uma reação ao meu comentário. O pior é o silêncio.

Copiei e "editei" o texto a fim de destacar o ponto onde (perdão) "a maionese desanda", na minha opinião. Não se tratava de nenhuma crítica ao filme em si, adaptação do livro do Josué, que li há anos e gostei muitíssimo - como várias outras "sagas gaúchas", caso de O Tempo e o Vento e, de alguma forma, o Videiras de Cristal, Quem faz Gemer a Terra, A Valsa da Medusa e Pequena História da Amor, os dois últimos escritos por santa-cruzenses, a Valesca de Assis e Wilson Müller , respectivamente, tratando diretamente dos teuto-descendentes aqui de Santa Cruz (fazem isso com enorme sensibilidade e fidedignidade histórica). Critique o Amigos do Cinema pontualmente, por estar "assinando" um convite que me indignou pela perspectiva histórica e social - uma luta que travamos coletivamente a mais de década.

Deixei bem claro que acho bacana e justo que se homenageie os antepassados e, obviamente, os teuto-descendentes aqui em Santa Cruz e região. Absolutamente nada contra o Amigos de Cinema fazer isso. Minha discordância, como disse, é pontual e se refere ao reforço, através de um convite, a um tipo de comemoração baseada em uma perspectiva germanófila, que afirma que os alemães iniciaram a história de Santa Cruz e região.

Quanto a "adjetivação raivosa" (gostei disso!) é completamente espontânea e a uso comumente nesses momento de indignação; tenho dificuldade em tolerar a repetição de uma abordagem germanófila - equivocada e geradora de exclusão. Tento minimante fundamentar isso, fazendo algumas alusões historiográficas e até citando obras e autores. Uma pena que possa soar pedante.

Talvez pudesse ser mais diplomático. E aceito de bom grado a dica e todas as suas ponderações no e-mail. Louvo a existência/persistência do Amigos do Cinema. Mas foi uma pisada na bola feia! Que bacana que houve esse reconhecimento. Agora é tocar para frente!


***Valeu! Como sempre, tuas mensagens são instigantes, inteligentes e humoradas - com aquela ironia temperando o papo.

Acho que a reação minha e de outros valeram para demonstrar que o debate sobre a etnicidade local está vivo e não se vai deixar passar afirmações absurdas todas as vezes. Acho incrível como há gente zelosa de uma descendência basicamente ficcional. Será tudo para se achar especial por conta de uns parentes maltrapilhos chutados por uma suposta pátria hoje tão amada??

***Como disse, uma lástima que meu comentário soe arrogante. Suponho que seja pelo tom professoral, impositivo. Faço citações e cobro conhecimento, embasamento. Talvez tenha que corrigir essa abordagem. Mas não deixo de pensar que, enquanto isso... muitos “ofendidos” não têm prurido algum em reproduzir militantemente uma versão do passado (ia quase dizendo uma farsa) apoiada (mal apoiada) acriticamente numa históra rala e apologética (várias vezes já denunciada), que é a matéria constituinte dos símbolos municipais ufanistas – como o hino local, a bandeira, os monumentos etc. –, e não a partir de dados historiográficos obtidos por pesquisa acadêmica ou ao menos com algum lastro documental consistente. E isso leva à violência simbólica, que poucos parecem se dar conta, tal a naturalização da situação. O fato de uma menina ou menino negros terem de cantar na hora cívica da sua escola um cântico de louvação à “bravura alemã” do “loiro imigrante” (trechos literais da letra do hino municipal germanófilo) não causa nenhum constrangimento àqueles que “cultivam suas raízes” sem considerar todos que viverem e vivem, influenciaram e influenciam concretamente Santa Cruz do Sul. Que tipo de relação se quer forjar com uma pseudohistória e culto cívico municipal com esse teor de exclusivismo étnico-racial?? Que sentimento de pertencimento se quer construir nos “não-alemães”?? Que alemão é esse “loiro imigrante”?? Uma imagem estereotipada e que já é uma aberração diante da miríade de gentes que se assentaram aqui na região a partir de meados do século XIX, vindos de um país que nem existia na época, a Alemanha? Por que se insiste nesse conto de orgulho, de desejo de se engrandecer às custas de uma presunção calcada na adulteração da história local? Quem ganha com isso?? Desculpa dizer, mas quem ganha com isso é a imbecilidade, onde se inclui o racismo. A riqueza da história cotidiana das comunidades de/com teuto-descendentes (que alguns ainda hoje colocam fora da categoria “brasileiros”, justamente porque se têm como “especiais”), com suas culturas multihíbridas já desde a Europa, é terraplenada por uma germanofilia de quinta categoria, que iniciou-se há tempos e teve seus surtos nas intencionalidades políticas de momentos – sejam estrangeiras (o pangermanismo, por ex.) ou locais, para (por ex.) justificar a adoção de candidatos com determinados perfis, rejeitando-se outros. Se alguém quer continuar tolerando isso e tendo cuidados “para não ofender” (mesmo que uma outra ofensa está sempre sendo perpetrada), tudo bem! Da minha parte, não consigo mais ouvir sem ficar indignado – ainda mais quando é proferida e reproduzida por pessoas com excelente acesso a múltiplas informações.

21 de dez de 2011

Sobre a morte de um yorkshire


Sou o primeiro a achar que os animais são tratados com crueldade. Eu mesmo, muitas vezes, maltrato o gato que convive com a gente lá em casa, o Maléulo. Deveria ser mais tolerante com os seus hábitos e personalidade. Obviamente, estou longe de torturá-lo.

Quanto a esse abaixo-assinado que está sendo distribuído, pedindo a penalização da assassina de um cão yorkshire em Goiás, fico incomodado pelo seguinte: a super-indignada pessoa assina a petição e à noite vai com a família num rodízio de carnes na churrascaria... Baita hipocrisia! Que sentimento seletivo é esse? Por que alguns animais merecem compaixão, mas outros são mortos massivamente, muitas vezes com tremenda dor e horas e mais horas de estresse e tortura psicológica no “corredor da morte” dos matadouros “humanizados”... Não dá para fingir que isso não acontece, alegar que as pessoas não têm consciência sobre onde estão metidas: comendo pedaços de vísceras de bovinos, suínos, equinos, aves etc. Estão com as mão sujas de sangue, meu!

Certo. Tem diferenças, sim, em “matar para comer” e “torturar por maldade pura”. E acho que há situações onde não há como não comer carne. Somos seres omnívoros; podemos comer de tudo ou ao menos uma vasta lista de produtos. Dizem até que o humano tem um sistema cerebral mais desenvolvido (inclusive mais massa cerebral) que outros símios devido a alimentação múltipla, que incluiu a carne a certa altura do nosso desenvolvimento no planeta.

Os esquimós não sobreviveriam sem comer carne naquele ambiente no extremo polar da Terra “simplesmente” porque não há vegetais suficientes por lá. Mas quando esses nativos das baixíssimas temperaturas matam um animal, aproveitam tudo e comem até o conteúdo dos intestinos do bicho, além de uma atitude reverencial aquele ser sacrificado. Mas quando vamos a um rodízio numa churrascaria, estamos participando de uma comilança (que exigiu uma vasta matança); devoramos uma quantidade de carne supérflua e, costumeiramente, demasiada para o nosso corpo, muito além de nossa necessidade proteica – fora a questão que tal proteína poderia ser obtida de vegetais (feijão, gergelim, nozes, castanha, tofu etc.), de lácteos e ovos (alimentos que não implicam na morte do animal, embora os veganos não aceitariam esse argumento).

Contudo, eu como carne eventualmente. Não quero ficar neurótico com isso – de comer ou não comer carne. Evito muito, quase sempre. O caso é que vivemos numa cultura onde a alimentação carnívora é onipresente e precisaremos de várias gerações para levar a maioria da humanidade a abrir mão desse consumo – ou ao menos reduzir ao indispensável.

*A ilustração acima é divulgação do documentário "Terráqueos" (Erthlings, EUA, 2005), que discute o tema da exploração dos demais animais pelo mamífero humano, onde aparece o termo "especismo", uma espécie de transposição do termo "racismo" para o universo das outras espécies que nós submetemos de diversos modos, incluindo o assassinato em massa. Abaixo, um link para assistir o filme:

http://video.google.com.br/videoplay?docid=-1717800235769991478

Jesus repaginado



A propósito de tantos cartões com imagens de Jesus...

Num velho cocho de um diminuta estrebaria nos arrabaldes da cidade, fugido da polícia de então, com os animais mais humildes a sua volta, fruto de uma gravidez fora do casamento, acomoda-se nas palhas o pequeno Jesus, muito pobre e sem ter mais onde ficar, rejeitado em todas as hospedarias e sem contar com a solidariedade das famílias daquele lugar. Ele não é um bebê branquinho de olhos azuis e traços arianos. É um semita, com todas as características do povo daquela região naquela época. Sua lenda é tão potente e a expansão das igrejas construídas a partir dessa história vão muito além do oriente-médio, atingindo toda a Europa em poucas séculos. O distanciamento do local de origem do personagem e a concentração do poder religioso, político e econômico do cristianismo no centro europeu moldam uma configuração corporal para esse Jesus muito diferente dos traços do homem judeu característico de 2.000 anos atrás; sua imagem ganha contornos de um nórdico e sua beleza tornada padrão mundial: pele alva, olhos e cabelos claros, além de um asseio (incluindo a barba sedosa e aparada) que faz parecer que o rapaz vivia em frescos palácios e andava em carruagens por ruas calçadas – quando, na verdade, vivia numa terra semidesértica e onde hábitos de higiene eram bastante limitados, ainda mais para andarilhos sem recursos e cujos amigos mais chegados eram rudes pescadores.

Compare-se as imagens (acima): um “retrato” bastante comum de Jesus e a reprodução baseada em estudos históricos, antropológicos e biológicos sobre constituição de um típico homens de 30 anos da região de onde o “Filho de Deus” era oriundo. A “transformação”, a “maquiagem” é flagrante; tudo para forjar a referência desse “Deus encarnado” em um homem branco, limpo e “bonito” – que cause simpatia e diga qual o fenótipo da santidade que devemos reverenciar. Imagine-se ter um quadro ou estátua enorme em casa ou nos templos com a cara daquele “Lula”! Não ia “pegar”...

Eu prefiro o Jesus “feio e sujo” a esse “modelito” que o rebelde de Nazaré se configurou para fins de consumo da massa. Mas das tantas adulterações no/do cristianismo – que já nasce com um produto de múltiplas influências –, essa é só mais uma ao longo do tempo. O que há ou o que resta de original nas igrejas baseadas no nazareno?

24 de nov de 2011

Oktoberfest, álcool e crianças

Como uma “festa família”, acho que os organizadores da Oktoberfest de Santa Cruz do Sul deveriam tomar mais cuidado com a apologia ao consumo de álcool potável, droga que, sabidamente, e não raro, traz inúmeros problemas e prejuízos para o consumidor e para a comunidade. Não é por nada, por exemplo, que a legislação veda a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos de idade, tal sua periculosidade comprovada por inúmeros fatos. Doenças graves, dependência química, acidentes graves, conflitos traumáticos estão diretamente ligados à ingestão do álcool, onde entram, com destaque, o chope e a cerveja.

Assim é que ostentar choperias ambulantes, ofertar graciosamente e empunhar, sorrindo, canecões do fermentado, ingeri-lo na rua aos borbotões em um desfile alegórico onde há milhares de crianças e adolescente assistindo (e até participando das “alas”) – e, ainda por cima, no caso de 2011, onde o tema dos carros alegóricos eram contos clássicos da literatura infantil mundial – é algo com muito poder educativo (deseducativo?). Ou seja, e em suma, se está a dizer que o consumo de bebida alcoólica é bom e pode ser praticado livremente pelas pessoas.

Não é por ser lícito – até certo ponto, porque há vários impedimentos já mencionados ao consumo, caso das punições da legislação de trânsito – que se torna tranquilo beber em público, num evento que os pais levam seus pimpolhos, e onde estão, queira-se ou não, aprendendo coisas – uma delas: beber é sinônimo de festa, alegria, cultura, diversão, sociabilidade etc.

Qualquer substância psicoativa, como o álcool, pode ser, como se diz, “porta de entrada para outras drogas”. Quando há todo um alarme e esforço da comunidade em barrar o consumo de crack, cocaína, maconha etc., um desfile que faz (ou acaba fazendo) apologia à bebida alcoólica é algo totalmente contraproducente; é contraditório ao esforço de evitar-se o uso abusivo de drogas. Já não basta o alto consumo dentro da festa, se externa isso na um desfile aberto, focado nas famílias, nas crianças.

Acho perfeitamente plausível – além de positivo em vários sentidos – se abolir a ostentação do consumo do álcool no desfile da Oktoberfest, junto com a sua minimização como atrativo da festa – algo que nas últimas edições (desde 2003, por aí, já vem ocorrendo, trocando-se o chope por cucas e instrumentos musicais nas mãos dos bonecos Fritz e Frida – embora permaneçam lá no trevo de entrada da cidade, no Acesso Grasel, convidando os motoristas a tomarem um canecão...). Talvez os grandes fabricantes, fornecedores e comerciantes não fiquem contentes, mas, para a comunidade, seria menos um estímulo drogadição alcoólica.

Não sou “contra o álcool” e gosto de tomar um pouco de vinho, cerveja e aperitivos em alguns momentos. Mas é preciso muita consciência: não estamos lidando como suco de groselha natural. Por seus efeitos nefastos, chope não é algo para se “brincar”, se usar impunemente, ostentar na rua, na frente das crianças e jovens sem que haja consequência no futuro próximo ou distante. Antes de qualquer programa “antidroga”, quem sabe se faz essa reflexão, para não cairmos em ações inócuas; porque “é o exemplo que vale” – não palavras de ordem do tipo “Crack nem pensar”; muita mais eficiência tem a mensagem “Tome chope a varrer” exemplificada num desfile de rua em pleno domingo de manhã na rua principal da cidade...

10 de nov de 2011

Escárnio e ignorância


Voltando ao assunto da desclassificação de pessoas e sua transformação em objeto de chacota por conta do uso de palavras e expressões que aprenderam desde a tenra infância, por residirem e se socializarem (e adquirirem o seu linguajar) em comunidades mais distantes – em termos físicos, econômicos e culturais – da “boa sociedade”, segue abaixo um artigo publicado na revista Língua Portuguesa (Editora Segmento, agosto de 2011).

Muitas vezes não nos flagramos do quanto somos, nós mesmos, ignorantes aos aspectos da nossa língua e da linguagem humana em si e o seu desenvolvimento social ao longo do tempo. Ao rirmos de alguém que disse “frauta” ao invés de “flauta”, podemos não saber que o próprio Camões, autor do clássico Os Lusíadas, grafou em sua obra (e devia falar) assim mesmo: “sonoras frautas”. Ou seja, muitas e muitas palavras consideradas mais do que “erradas” – consideradas uma “aberração”, um “escândalo” (carça, bassoura, trabesseiro etc.) – podem ser vistas como formas de falar tradicionais, que se mantiveram em alguns grupos e hoje são variantes do que se configurou como “a língua culta”. Há nesses falares algo de uma riqueza histórica, social e linguística, que a avaliação superficial não consegue se deter, porque condena taxativamente e sem base maior.

O escárnio, o sorriso debochado e superior é um riso preconceituoso e, no final, atesta a ignorância sobre a língua portuguesa em sua complexidade.

*E ontem mesmo fiquei pensando que, além de tudo, o preconceituoso priva-se de ampliar o seu vocabulário com expressões e fonéticas “alternativas”; a pessoa nem cogita o porquê o outro fala daquele jeito “errado”, já o descarta; não cogita que existe uma história da língua portuguesa que vem de séculos e que continuará por outros tantos em transformação, com múltiplas influências e formas de manifestação. O preconceituoso é tão autocentrado, tão zeloso da “correção”, que se fecha a tudo que não seja espelho e norma.

**Uma colega me passou um verso do Oswald de Andrade (Vício na Fala) que diz assim:

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados

Não é bacana isso? Muito boa a conclusão dele. O que importa é a comunicação. A norma, a “correção” têm seus espaços, mas o que importa é que os telhados são feitos.



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17/08/2011

A tradição da "frechada"

Tendência das línguas românicas, rotacismo não é atraso linguístico, como se acredita

Contam que Probo (Marcus Valerius Probus) foi um sujeito que compilou e listou 227 palavras da língua latina com erros corriqueiros atribuídos à fala ou variedade popular dos plebeus (sermo plebeius), do povão ou - diriam outros - da "gente diferenciada", que compõem o Appendix Probi (Apêndice de Probo). Para servir de cartilha a quem quisesse escrever ou falar conforme o padrão da língua (o dito latim clássico) do século 4 ou 3 antes de Cristo, o autor do apêndice coloca a forma supostamente correta ao lado da "equivocada". No estilo receita: [diga/escreva] x não y.

Tudo isso, autor e data, é fruto de inferências. E, como tal, suportam interrogações, dúvidas e contra-argumentos. O que é fato? O apêndice ou lista ou anexo existe. E é considerado um dos documentos pelos quais se pode ter a descrição do que seria o latim vulgar, falado, popular ou corrente no império romano. É nessa variedade, dizem todos os estudos diacrônicos, que as línguas latinas ou românicas, dentre elas o português, têm suas bases.

Antepassados


A piada é que muitas formas tachadas como erradas são hoje as consideradas corretas. Eis alguns casos: masculus non masclus - donde veio "macho"; ansa non asa; oculus non oclus - donde veio "olho"; mensa non mesa; rivus non rius - donde veio "rio"; viridis non virdis - donde veio "verde", e por aí vai. Um exemplo, que mexe até com "verdades" politicamente incorretas, tem a ver com o rotacismo: aquela alteração fonética que consiste em se realizar r no lugar de l, como em "crasse", "frauta" e "pranta" ("classe", "flauta" e "planta").

É comum haver pressa em dizer que esse processo fonológico ou metaplasmo, dentre outros, resulta de nossa herança linguístico-cultural alicerçada nas culturas e línguas indígenas e africanas. Na música Tiro ao Álvaro, de Adoniran Barbosa, vale destacar a ocorrência do rotacismo nos trechos "frechada do teu olhar" e "bala de revórver". Essa troca não é exclusiva do dialeto caipira paulista. Pode ser encontrada em todas as regiões brasileiras e está mais relacionada a variáveis ou aspectos sociais, como a escolaridade do falante, do que a motivos dialetais circunscritos a uma determinada região.

A ocorrência de rotacismo, no entanto, é destacada pelos historiadores da língua desde o latim. Representa, assim, uma tendência românica. No apêndice há pelo menos um caso (flagellum non fragellum), que, já naquele momento, estava listado como erro. E também é registrado em diferentes fases históricas do português. Isso denota que pode se tratar de um caso de manutenção e não de inovação do português brasileiro.

Eis dois exemplos de autoridade.

Em versões de Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões (1524-1580), que mantêm a ortografia das primeiras edições, encontramos "frautas" no lugar de "flautas", no verso 6, estrofe 64 do canto 9°. E, da mesma forma, no Auto da Barca do Inferno (1517/19), de Gil Vicente (1465?-1537), está escrito "berzebuu" (que se indentifica com "revórver") em vez de "belzebu" no verso 12. Quer dizer, a ideia de que foram os índios e negros, que provocaram a vibração de l no nosso jeito caipira de falar, não passa de lenda e de muito labéu étnico e social.

É difícil contestar que algumas características encontradas em nosso diversificado modo "brasileiro" de falar - reconhecido e evidentemente distinto do modo "português europeu", "africano" e "asiático" de falar - não podem ser tratadas como fenômenos surgidos exclusivamente em terras brasileiras por conta da nossa história social: contexto em que indígenas e africanos falavam o português, introduzindo nele realizações sonoras, lexicais e sintáticas nunca ditas e ouvidas ou escritas e lidas antes.

Não só brasileiro

A ideia equivocada de inovação advinda da propagada miscigenação brasílica (índio, branco e negro) é frutífera não só em se tratando de fenômenos linguísticos, estritamente. Certo é que, por meio de manuscritos e impressos de tipologia e datação variadas, podemos trazer, para o presente, elementos da nossa vida social do passado e rememorar nosso itinerário cultural e linguístico. Memórias capazes de desvendar o que, numa leitura célere, asinha, pode parecer inteligível para muitos de nós. E possibilitam a (re)interpretação de conceitos e preceitos ditados às vezes como verdades absolutas.

Essa constatação ganha cores e porosidade se concentrarmos a reflexão no nível vocabular da língua. Porque a investigação nesse patamar semântico-lexical nos leva mais longe: ao nível cultural, trazendo à tona provas ou suspeitas de que muitos aspectos da nossa cultura - com seu "jeitinho" de ser ou de resolver as coisas - não devem tributo à mistura branco, índio e negro, como muita gente insiste em nos imprimir a ferro em brasa...

Manoel Mourivaldo Santiago-Almeida é professor pesquisador livre-docente na área de filologia e língua portuguesa da USP, cnpq

FONTE: http://www.revistalingua.com.br/textos.asp?codigo=12376

26 de out de 2011

Gadgets: sendo e consumindo objetos


Achei na Wikipédia um texto sobre os gadgets – termo que se refere a equipamentos eletrônicos e softwares que surgem no mercado e agregam-se a outros como novidades. Não sabia, mas há uma ligação do termo com a psicanálise desenvolvida por Jaques Lacan (na foto acima). Ele se referia aos gadgets como

“objetos de consumo produzidos e ofertados como se fossem 'desejos' pela lógica capitalista - na qual estão agregados o saber científico e as tecnologias em geral. Dentre estes gadgets, diz Lacan, encontram-se os 'sujeitos-mercadorias', aqueles que incorporam de forma um tanto psicótica uma atitude de objetos de consumo breve e que, por isso, investem suas energias em provar-se 'consumíveis' ou 'desejáveis' aos olhos de eventuais parceiros ou do mercado, o grande senhor contemporâneo. Pela perspectiva lacaniana estes sujeitos-mercadoria não são de fato sujeitos, já que consomem 'objetos' e ofertam-se ao consumo por 'objetos', não ao estabelecimento de laços sociais.

Quando li essa definição, fiz uma associação direta ao folder que me enviaram esses dias sobre um “Curso de Sensualidade” para mulheres, que ocorreu dias atrás aqui na cidade. Na foto, uma “jovem-senhora” mostra “sensualmente” suas pernas, sentada em cima de uma mesas de acrílico, com trejeitos no olhar e outras jogadas corporais “insinuantes”. O curso se propõe a isso: dar uma melhor apresentação as e desenvoltura a mulheres, desinibindo-a e ensinado-lhes “truques” – tudo a fim de atrair sexualmente seus parceiros também padronizados, ávidos por uma suculência sexual, como as apresentadas nas clássicas "revistas masculinas"...

Sobre os parceiros fazerem algum curso semelhante... nem se cogita. Cabe a mulher ser “desejada” e “co(nsu)mida”. A cultura da sujeição, da submissão, da “objetização” da mulher. Como diz Lacan (morreu em Paris em 1981), postam-se como objetos de consumo, não mais que gadgets. Triste papelzinho, reforçado todos os dias por milhões de mensagens louvando a adesão a padrões comportamentais acríticos, falsamente libertários, mediocrizantes.

Abaixo, o termo gadget como estava na Wikipédia quando a acessei.


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Gadget (em inglês: geringonça, dispositivo) é um equipamento que tem um propósito e uma função específica, prática e útil no cotidiano. São comumente chamados de gadgets dispositivos eletrônicos portáteis como PDAs, celulares, smartphones, leitores de mp3, entre outros. Em outras palavras, é uma "geringonça" eletrônica.

Na Internet ou mesmo dentro de algum sistema computacional (sistema operacional, navegador web ou desktop), chama-se widget, mas vezes também chama-se de gadget algum pequeno software, pequeno módulo, ferramenta ou serviço que pode ser agregado a um ambiente maior. No site iGoogle, por exemplo, é possível que seja adicionado alguns dos muitos gadgets disponíveis. O Google Desktop, o Windows Vista (e também o Windows 7), o Mac OS X, o KDE e o Gnome são ambientes que aceitam alguns tipos de gadgets específicos, acrescentando funcionalidades ao desktop do sistema.

Os Gadgets têm função social de status (além da lógica finalidade do aparelho), quando se tratam de equipamentos ostensivos. Na medida a que se referem, em sua maioria, a equipamentos de ponta e por muitas vezes com preços elevados, a gíria Gadget é referência de produto tecnológico para poucos, embora seja usada de forma genérica quando se trata de software.

28 de set de 2011

Partido Pirata


Fiquei muito interessado em uma notícia que saiu na semana passada: o Partido Pirata da Alemanha conquistou, no parlamento regional de Berlin, 15 cadeira na eleição ocorrida no dia 18 de setembro.

E destaco o seguinte do texto:

“Assim como os Piratas foram a surpresa positiva na eleições alemãs, os tradicionais partidos A Esquerda e Verde amargaram uma queda de cinco pontos percentuais no número de votos recebidos, em relação ao pleito anterior.”

Mesmo sem ter uma análise maior da situação, me parece que o esgotamento dos discursos de políticos ecologistas e esquerdistas de várias facções, junto com a nova sociabilidade trazida pelas tecnologias de comuicação via internet, estão produzindo uma nova conformação da juventude européia – e que se “espraia” pelo mundo afora, tendo, assim, surgido um novo canal de expressão e ação ideológica “partidária”, canalizando e catalisando a rebeldia outrora contida nas agremiações ligadas à retórica socialista, social-democrata e "verde".

Talvez tenhamos aí uma nova postura da juventude politizada; formou-se um caldo cultural a partir do uso cada vez mais intenso das TIs, ao mesmo tempo que os discursos de “esquerda” e de “direita” se esfarelam na velha mesquinharia, hipocrisia e paranoia própria do jogo do poder político-partidário e governamental.

Dando livre curso ao pensamento, acho que aqui no Brasil, o PT parece estar “envelhecido” e tem se tornado cada vez mais um partido governista, que se usa de práticas antes condenadas veementemente – embora possamos localizar avanços em seus governos. Os demais partidos de esquerda estão ideologicamente fossilizados. Os sem-ideologia, que são apenas siglas vazias, continuam suas trajetórias fisiológicas, sem dizer mais nada para às gerações contemporâneas, especialmente para as camadas de jovens com algum nível de criticidade e para além dos cooptados em aparelhos partidários.

Segue mais abaixo a notícia referida e também um link para um entrevista já “antiga”, de 2009, onde Jorge Machado, sociólogo e professor universitário, e Guilherme Bellia, estudante de comunicação, falam sobre a proposta do Partido Pirata no Brasil. Selecionei o seguinte trecho da entrevista deles:

“A diferença do Partido Pirata está muito mais no método. É livre, aberto e colaborativo. Com este método você pode trabalhar com qualquer pauta. Por exemplo, habitação. Para discuti-la, primeiro, vamos expor quais são os recursos disponíveis, as demandas, os movimentos sociais, as secretarias, interesses envolvidos e, enfim, fazer tudo de maneira transparente. Como eu disse, estamos hackeando a política. Estamos focados em questões que estão nas raízes da política: transparência, construção colaborativa, direitos civis e humanos. Só de respeitar tudo isso, já fortalece a democracia. Para termos maior abrangência em outros assuntos e desenvolvermos pautas específicas, claro, nós precisamos crescer em contingente. Precisamos de mais pessoas tratando de educação, por exemplo. Podemos fazer uma proposta de modelo de escola livre, que forme pessoas que pensem, critiquem e questionem as coisas, não uma escola que discipline as pessoas para que tenham um comportamento padrão. Com plataformas abertas, podemos permitir que este tipo de proposta surja.”

Link: http://info.abril.com.br/noticias/internet/os-piratas-do-brasil-estao-chegando-05102009-37.shl#ir

Falou!


*Aliás, tem uma outra coisa rolando por agora nos EUA (notícias na imprensa de 03/10/11), nas mesmas bases do Partido Pirata, mas sem estruturação partidária, que é o movimento "Occupy Wall Street", coalizão de movimentos menores, majoritariamente formada por jovens se organizando via internet.

Na última ação "não-virtual" em Manhattan, quando vários foram presos por bloquearem a ponte do Brooklin, os caras estavam dizendo coisas como:

"Este não é um protesto contra a polícia de Nova York. É um protesto de 99% da população contra o poder desproporcional de 1% que controla 50% da riqueza do país."

"Não é justo que nosso governo ajude as grandes corporações e não as pessoas."

Não é algo novo. Mas é nova a forma da mobilização, com lideranças bem mais rarefeitas e sem bandeiras de partidos, se usando intensamente das redes sociais etc.

**Aliás "2", aqui mesmo na Santinha, a partir de uma postagem no Facebook, o cara desencadeou um protesto contra a lotação dos ônibus que fazem linhas intermunicipais na região, obrigando a empresa a "se explicar" e respaldar-se em "autorizações" absurdas do DAER, que permite o cara viajar de pé, sem comodidade e segurança alguma, em estradas movimentadas - enquanto eu preciso (e faço questão de) ter uma cadeira de mais 500 reais para levar a minha filha na escolinha, e, se for flagrado sem, serei multado e não sei mais quantos pontos na carteira e incomodações variadas... Redes sociais pautando a imprensa e colocando empresas e órgão de governo em saias justas... Baita irresponsabilidade e mesquinharia de empresas de transporte de passageiros com a conivência (parceria?) do Estado.

Taí o link da notícia se alguém não viu e quer dar um bizu:

http://www.gaz.com.br/noticia/303860-superlotacao_de_onibus_tortura_passageiros.html

***Outro comentário: Saiu na imprensa em 28 de setembro o seguinte: o Congresso Nacional ouviu a Academia Brasileira de Ciências e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), instituições que reúnem renomados cientistas do país. Porém, mesmo com toda a base do mundo para fazer as indicações, o relator do projeto do Código Florestal na Comissão de Meio Ambiente, senador Jorge Vianna, disse que “algumas das sugestões” desses estudiosos devem ser incorporadas ao texto. Algumas, cara pálida? Como assim? É como se um corpo de médicos recomendasse ao paciente moribundo um série de restrições para garantir-lhe a sobrevivência e cura, e o cara simplesmente dissesse que talvez acate alguma recomendação... No caso do meio ambiente, a questão é muito mais séria, porque implica na vida da coletividade humana e dos demais seres da Terra. E o senador diz uma coisa dessas, que “algumas devem ser incorporadas”... Não se tratam de “opiniões”, mas, se deve supor, são indicações a partir de avaliações com o máximo de correção, porque feita por cientistas de alto nível.

São os interesses mais imediatistas conduzindo a política. No jogo do poder, vale manter medidas que ameaçam as gerações no longo prazo, mas que garantem apoio a partidos e candidaturas, afora outras possíveis vantagens pessoais para alguns. Sei que deve haver “negociações” para garantir ao menos algum avanço, mas não deixa de ser algo extremamente decepcionante abrir mão do “conhecimento científico” pelo “interesse político”.

Segue a notícia:


Cientistas apresentam relatório com críticas ao novo Código Florestal

Publicado em: setembro 28, 2011

Fonte: Ruralbr

Audiência conjunta no Senado reuniu pesquisadores e as três comissões que analisam a matéria

A opinião de cientistas sobre mudanças no Código Florestal foi ouvida no Congresso Nacional durante audiência com as comissões de Meio Ambiente (CMA), de Ciência e Tecnologia (CCT) e Agricultura (CRA) do Senado. Representantes da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira do Progresso para a Ciência apresentaram suas considerações para sete senadores que participaram da audiência pública. As críticas da ciência foram organizadas em um relatório único e a tendência é que algumas sugestões sejam aceitas.

Os cientistas da SBPC apresentaram, pela primeira vez, um documento com críticas a 10 pontos do texto atual, em debate no Senado. As mudanças, segundo eles, podem trazer consequências negativas para o meio ambiente. Segundo o membro da SBPC, Ricardo Rodrigues, um dos aspectos fundamentais está relacionado com as áreas de preservação permanente.

-Existe um grande número de estudos, mostrando que a reestruturação dessas áreas é fundamental para que ela volte a cumprir os serviços do ecossistema da mata ciliar – apontou Rodrigues.

Os cientistas acreditam que as contribuições da ciência estão mais próximas de serem levadas em consideração.

-O Senado está muito mais atento às questões ambientais e eu não tenho dúvida que várias dessas sugestões vão ser atentadas nessa votação – afirmou o membro da SBPC.

Para o representante da Associação Brasileira de Ciências, Elíbio Rech, é fundamental que exista um pacto de desenvolvimento para o país.

-Esse pacto vai envolver um consenso entre o uso racional e sustentável da biodiversidade e a produção – disse Rech.

O relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente, senador Jorge Vianna, afirmou que algumas das sugestões devem ser incorporadas ao texto. Vianna manteve ainda a promessa da realização de um relatório conjunto sobre o tema.

-Eu e o senador Luiz Henrique estamos trabalhando em conjunto e acredito que seja possível encontrarmos soluções aos desafios que a matéria do Código Florestal nos traz – afirmou Vianna.

A expectativa é que o projeto seja votado na Comissão de Ciência e Tecnologia até o dia 20 de outubro.

30 de ago de 2011

Estação Espacial Internacional, supermercados e o fim da ilusão do liberalismo capitalista

Uma pequena notícia no jornal de dias atrás (25/08) me fez pensar que, assim como o “comunismo clássico” representado pela URSS faliu, também o “capitalismo clássico”, representado em especial pelos EUA, foi à breca. Nem foi alguma notícia das crises econômicas norte-americanas recentes, quando se chegou ao ponto do governo (e não a mão invisível do mercado) ter que emprestar grana para a outrora toda-poderosa GM não emborcar. O dirigismo estatal e a livre iniciativa em seus extremos já provaram quanta desgraça podem produzir. Sua ausência completa, também parece ser um erro e somente ideólogos à esquerda e a direita conseguem manter seus radicalismos.

Mas a notícia fala de um problema no sistema de propulsão, que fez cair um foguete russo, que estava levando mantimentos para Estação Espacial Internacional (“a nave não-tripulada Progress M-12M transportava cerca de três toneladas de provisões para a tripulação da ISS”, 25/08/11). O drama é que os EUA não teria como refazer o transporte, já que seu programa de ônibus espaciais foi desativado, e novo programa norte-americano vai demorar mais não sei quantos anos para voltar às viagens para fora da Terra. Ou seja, tudo depende dos russos para manter-se o abastecimento do projeto que envolve principalmente os dois países (EUA e Rússia), entre mais alguns. Ou seja, a Rússia, por sua herança soviética, consegue manter o programa espacial pela agência Roscosmos; os EUA, obrigou-se a cortar verbas da Nasa.

Aliás, também na semana passada, li uma nota na coluna de economia (informe Econômico, de ZH, p.20, 24/08/11) sobre um pronunciamento do presidente da Agas (supermercadistas) na Expoagas (fornecedores de supers). É sobre o “avanço desmedido” de grandes multinacionais do setor, o Sr,. Antônio Longo disse “em alto e bom som”:

– É preciso ficar atento à autorização da construção de grandes empreendimentos, sem qualquer análise. Qualquer país protege suas empresas, regulando o crescimento da economia de forma salutar.

Bah! Baita declaração do intervencionismo estatal, poderíamos dizer. Liberais empedernidos, do IEL, que pedem a toda hora o fim do Estado, deveriam fazer uma passeata na Expoagas, pedindo as tripas do empresário e dirigente da corporação supermercadista dos RS...

10 de ago de 2011

Vereadores: 11 é pouco, mas Câmara precisa melhorar muito

Semanas atrás isntalou-se uma polêmica - que ainda correr - por conta da alteração de número de vereadores na Câmara Municipal de Santa Cruz do Sul. Emendei alguns de meus comentários curtos (!) sobre o assunto por aí e posto-os abaixo.

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Não avultando os custos, sou favorável a ampliação do número de vereadores em Santa Cruz. Quem quer democracia, quer ampliar a representação da população na câmara, entrado mulheres, por exemplo, que não existe uma sequer, entre outros segmentos e até partidos sem representação no legislativo local.

Câmaras de vereadores, assembléias legislativas e outros mecanismos são essenciais na democracia, e sua qualidade depende muito do voto do/a cidadão/ã. "Jogar a culpa" da política podre e medíocre nos vereadores é esquecer quem os elege. São retratos do povo, ou seja, meus, teus, nossos.

Ter maior participação no processo político – e não simplesmente manter ou diminuir vereadores – me parece o melhor caminho. Discutir não só na hora de querer cortar gastos com supostos inúteis. Radicalizando, poderíamos dispensar todos os parlamentares e demais cargos políticos eleitos e deixar que um "Hitler" nos governe... No começo, poderia sair mais barato...

Além da "baixa produtividade", acho que a pequena representação numérica na Câmara também colabora para a aprovação de projetos absurdos, já que a possibilidade de haver contestação é menor com um número diminuído de vereadores. Santa Cruz, democraticamente, está perdendo muito com essa baixa proporção entre eleitores e vereadores. Vale Verde tem 2.850 eleitores e 9 (nove) vereadores. Santa Cruz, 90.670 eleitores e 11 (onze) vereadores...

A mobilização que está acontecendo tem vários lados positivos. O empenho das pessoas preocupadas com os gastos públicos é um dessas facetas. Mas falta abordar e aprofundar o tema do poder, da democracia e da participação popular, ou seja, da cidadania em amplo sentido. Não são assuntos muito simples. Para os vereadores, fica o alerta: parece que suas atuações estão deixando muito a desejar, pelo investimento que a população faz para mantê-los e manter toda a estrutura da Câmara.

5 de ago de 2011

Hendrix e a influência da tecnologia musical portuguesa na vida do guitarrista


Ao falar da Amy, falei do Jimi, dois talentosos artistas mortos por conta das decorrências do abuso de álcool e outras drogas ao longo de suas breves, intensas e conturbadas vidas. Considerado o maior guitarrista da história, de descendência afro e indígena, nascido nos EUA dos anos de 1940, teve como seu primeiro instrumento de cordas uma espécie de pequeno violão ou cavaquinho de quatro cordas de origem portuguesa, o ukelele, originalmente (e com outro nome) trazido por portugueses da Ilha da Madeira direto para o Havaí provavelmente no final dos anos de 1700, quando a ilha iniciou o cultivo e beneficiamento da cana de açúcar, outra tecnologia dominada pelos lusos com maestria (e que também tem apropriação de anteriores conhecimentos árabes, hindus e chineses).

Nessa peculiaridade de Hendrix, que, ainda na infância, ganha de seu pai um instrumento musical da tradição lusitana, vemos, mais uma vez, a multiplicidade das influências étnico-culturais – consubstanciadas também em tecnologias para a produção de sons musicais por percussão de cordas – compondo uma personalidade e suas habilidades.

E quantas centenas ou milhares de pessoas se cruzaram direta ou indiretamente no afloramento e manifestação da musicalidade de Jimi Hendrix? Se considerarmos só um outro elemento básico do seu instrumento, como o captador elétrico da sua primeira guitarra, comprado por 5 dólares em Seattle, quantos e quantos conhecimentos desenvolvidos por inúmeras pessoas em diferentes épocas acabam entrando neste "bland"? Poderíamos começar com o circunspecto inglês James Maxwell, que desenvolveu as equações físico-matemáticas que possibilitaram a “visão” e manipulação do eletromagnetismo...

Muita água rolou até o estrelato de Jimi em Londres, do outro lado do mundo, culminando em sua lamentável e precoce morte...

20 de jul de 2011

Bjork e Wilson


Pois a cantora islandesa Bjork (que também ficou famosa estrelando o filme Dançando no Escuro) está lançando um projeto musical que promete ser revolucionário no mundo da música. Li isso no Segundo Caderno de ZH da semana passada. O projeto dela se chama Biophilia. E é aí que está: a palavra “biofilia”, num sentido geral, significa “amor pelas coisas vivas”. Segundo a reportagem, “a hipótese da biofilia sugere que os seres humanos têm uma afinidade inata com o mundo natural – as plantas, os animais e até mesmo o clima”. Academicamente, remete a um autor, Edward Osborne Wilson (fotinho ao lado), 82 anos, biólogo norte-americano, doutor em Biologia pela Harvard, famoso por desenvolver trabalhos sobre o comportamento animal (ele é especialista em formigas e sua comunicação por feromônios...), o que inclui os humanos nesse rol, afinal, somos um dos tantos mamíferos do planeta, devendo a uma cadeia evolutiva megagigatesca e hipercomplexa a nossa existência e sobrevivência com relativo sucesso.

Ao pesquisador (entomologista, mais especificamente) é creditada a popularização do termo “biodiversidade” e ao desenvolvimento de uma disciplina científica, a Sociobiologia – abordagem polêmica, que considera determinações biológicas na constituição das sociedades humanas e seus comportamentos sociais. Para a Sociobiologia, há fatores genéticos bastante determinantes da sociabilidade de diversos grupos de animais, frutos do longuíssimo processo evolutivo dos seres vivos na Terra, introduzido vários questionamentos dentro das Ciências Sociais e da Psicologia "tradicionais".

O assunto tem voltado a me intrigar bastante, tanto que me meti na leitura de Da natureza humana, do próprio Wilson, obra publicada originalmente no final dos anos de 1970 - e que funciona como uma ampla introdução à Sociobiologia, após outros livros do autor já terem apresentado a proposta sociobiológica para a análise das sociedades humanas.

Isso tem sido bem estimulante! Agradeço a Bjork a referência que me levou ao Wilson!

Sobre o projeto da cantora, segue a versão online da reportagem mencionada:

http://zerohora.clicrbs.com.br/especial/rs/segundocaderno/19,1033,3383118,Cantora-Bjork-aposta-em-tecnologia-e-natureza-em-novo-projeto.html

E. O. Wilson mantém uma fundação com objetivos bem práticos/pragamáticos:

http://www.eowilson.org

6 de jul de 2011

Aviões agrícolas em Linha Santa Cruz: nem anjos e nem demônios


Mais uma vez, muito bacana a mobilização comunitária em torno da instalação de uma empresa de aviação agrícola no Bairro Linha Santa Cruz. Principalmente pelo seu aspecto geral, de contrariedade a intoxicações por químicos agrícolas, chamando a atenção de todos para os cuidados com o meio ambiente. Mas...


Confesso que já fui bem mais ferrenho “anti-agrotóxico”. Continuo com minhas restrições e preferindo sempre produtos orgânicos e uma agricultura ecologicamente correta. Sou até entusiasta de técnicas como a biodinâmicas, que têm uma outra abordagem sobre o solo, a vida vegetal e animal e suas correlações com o ser humano, o planeta e o sistema cósmico. Mas também observo que a indústria agro-química – até por pressão, e não por alguma consciência ambientalista súbita – já está tendo cuidados ambientais e cada vez mais direciona-se para a fabricação de produtos menos contaminantes do solo e das pessoas (de composição biodegradáveis, com menor toxidade e permanência no ecossistema etc.) – assim como deve e está acontecendo com todos os produtos fabricados e atividades humanas no planeta (e até fora dele!).

Em tese, a empresa de aviação agrícola que quer se instalar no aeroporto precisa ter todas as prevenções legais e licenciamentos dos órgãos competentes (e receber as devidas fiscalizações), além da responsabilidade social inerente a uma atividade do tipo, com tantos riscos. A mesma coisa deve ocorrer, por exemplo, com transportadoras de combustíveis. Caminhões-tanques contendo milhares de litros passam semanalmente por nosso bairro. Pressupomos que são empresas idôneas, licenciadas devidamente, sendo os veículos seguros e obedecendo todas as normas legais para evitar um acidente e consequente contaminação do solo pelo vazamentos de gasolina, álcool combustível, óleo diesel etc. – produtos altamente tóxicos e de uso poluente em nossos veículos (pelo escapamento do motor e vazamentos). Mas ninguém está pedimos o fechamento do Posto Wenzel (ou daquele que se localiza próximo a Linha Nova, além dos de Monte Alverne) por conta de um possível acidente com os depósitos e transporte dos líquidos inflamáveis; nem somos contrários aos veículos, oficinas, fábricas e revendas – mas somos favoráveis ao uso de bicicletas, por exemplo, e a criação de carros cada vez menos poluentes e de todos os cuidados para evitar acidentes e contaminações no transporte rodoviário, armazenamento em tanques e abastecimento nos postos.


Tenho receio de um certo obscurantismo ou “ideologização” do que é uma questão importante e causa justíssima. Por conta de um sectarismo do tipo “agroquímicos são do mal e então seremos sempre contras”, enxotamos empresas e abominamos técnicas de cultivo perfeitamente aceitáveis de um ponto de vista científico e ambiental. Químicos, engenheiros químicos, engenheiros agrícolas, agrônomos e mais variada e vasta gama de técnicos se dedicam à pesquisa de produtos para a “agricultura industrial”, tornando-a mais eficiente e menos letal. Confio num desenvolvimento ético, respeitando o meio ambiente e responsabilidade social com as gerações – “mesmo” nesta “ceara” da produção com herbicidas, fungicidas, adubos químicos etc. No atual modelo socioeconômicos, que – prevejo – perdurará por muitos anos, a agricultura em grandes extensões existirá e não prescindirá de técnicas agrícolas baseadas na ampla mecanização – como os aviões agrícolas – e insumos químicos.


*O próprio secretário do meio ambiente de Santa Cruz, em entrevista ao Riovale Jornal de 28/06/11, diz que “entende a preocupação dos moradores, mas a empresa possui todos os requisitos necessários para operar”. “Pedimos todos as licenças necessárias e todas atendem as exigências”, incluindo as da Fepam (Fundação de Proteção Ambiental do RS), “um dos órgãos mais exigentes que existe em nosso estado”, completa o secretário. Ou seja, a preocupação e mobilização do grupo é muito válida, mas as autorizações e precauções estão oficialmente atendidas para o funcionamento correto da empresa – assim como deve acontecer com o transporte, abastecimento e armazenamento em Postos de Combustível do bairro e seu entorno, estabelecimentos que trabalham diariamente com produtos tóxicos de alta periculosidade (inflamáveis e poluentes, inclusive).

**O fluxo de aeronaves já é em si algo que se faz com risco – assim como o é o transporte pelas ruas e estradas. Vazamentos de produtos poluentes dos tanques – ou no processo de abastecimento de combustível – e acidentes graves são hipóteses sempre presentes. Então, a instalação de uma linha aérea entre Santa Cruz e Porto Alegre deveria ensejar também uma mobilização... Na verdade, os pequenos e grandes aeroportos que conheço estão em áreas de uma densidade populacional cada vez maior (o Aeroporto Salgado Filho é um exemplo disso, outrora construído em área afastada da aglomeração urbana). Idealmente, deveriam ser construídos e mantidos em áreas com grande limitação de moradia e de outras instalações urbanas.


***Me disseram que a aviação agrícola é uma dos meios mais eficientes em termos econômicos e ambientais para pulverizações em grandes áreas.

22 de jun de 2011

A história não contada da “rua mais antiga de Santa Cruz”

Um trabalho de levantamento histórico muito interessante é o realizado por Armindo L. Müller, pesquisador diletante e pastor luterano. Em seu Dicionário Histórico e geográfico da região de Santa Cruz do Sul (Edunisc, 1999), traz muitas informações que, por sua vez, poderiam ser desdobradas em muitos outros trabalhos de historiografia e análise social local e regional. É deste pequeno livro, publicado pela Editora da Unisc em 1999, que retirei alguns dados para tecer o seguinte comentário:

A chamada via mais antiga de Santa Cruz do Sul, hoje Rua José Germano Frantz, foi obra empreendida por Delfino dos Santos Moraes, capataz do fazendeiro e tenente-coronel Abel Corrêa da Câmara – nome de onde se deriva a designação original “Picada do Abel”, mais tarde Picada Velha e, finalmente, Linha Santa Cruz. Nos trabalhos de abertura e demarcação, agregados, contratados e escravos sob comando de Delfino devem ter sido mobilizados, sendo todo trabalho às expensas dos cofres públicos da então Província do Rio Grande de São Pedro (e dizem que foi uma bolada grande). A empreitada começou a ser definida em 1847, mas só terminada no final de 1849, quando os primeiros colonos estavam sendo assentados nos lotes, incluindo ali o homenageado, Sr. Frantz. Mais anteriormente ainda, a via foi uma trilha indígena, ligando a região serrana do Vale do Rio Pardo e banda acima (Soledade, Cruz Alta etc.), passando pelo Faxinal do João Faria (onde surgiu a cidade de Santa Cruz), até Rio Pardo (Rio Jacuí), por onde circulavam indígenas da região, incluindo ervateiros guaranis assentados – já no século 18 – na Aldeia São Nicolau, nos arredores da cidade de Rio Pardo.


Já os lotes, foram demarcados pelo engenheiro Frederico Augusto de Vasconcelos Pereira Cabral, nome que não deixa dúvida da sua origem lusitana. Subcontratou os serviços de Guilherme Werlang e Francisco Dilemburg, teuto-desecndentes residindo no Brasil. Mais uma vez, os recursos para os trabalhos são governamentais e, muito provavelmente, usando-se mão de obra escrava para os “serviços mais pesados” (ao brancos, só cabia o mando).

Temos aí, numa via municipal, uma multiplicidade de relações sociais e históricas, envolvendo protagonistas de várias etnias e origens nacionais – comumente, muitos deles, invisibilizados injusta e erradamente, porque empobrecem a história santa-cruzense diversa e complexa.


*A rigor, aliás, a “via mais antiga de Santa Cruz” não é aquela cujo trecho se chama hoje Rua Germano Frantz. Vias que ligavam internamente as instalações (sobrado do dono, casas dos agregados, senzala, estrebarias, pastos, lavouras, olaria, armazéns etc.) do povoado do Faxinal do João Faria e, deste, a Rio Pardo, então sede da região, e a outras localidades próximas – arraiales, fazendas, rancharias avulsas e armazéns existentes em caminhos –, já instaladas antes da introdução de colonos germânicos em 1849; são vias mais antigas e usadas muito antes de qualquer início de assentamentos de colonos da Prússia, Silésia, Boêmia e outras localidades europeias do norte (lembrando que a Alemanha, propriamente, ainda não existia como estado-nação antes de 1871).


**O trecho ainda não calçado da Germano Frantz – apenas um ou dois quilômetros paralelos a Av. Orlando Oscar Baumhardt, mantendo a ligação da esquina do “Mercado Recanto” (ou a entrada ao Seminário São João Batista) até próximo ao “Mercado da Lili” (ou a velha fábrica de sapatos coloniais) –, mesmo com os loteamentos que dela se bifurcam, guarda uma espécie de encanto colonial em sua sinuosidade, aclives e declives, pedregulhos, passagens por arroios, charcos, matos, vistas de casas antigas, nesgas de lavouras e campos onde pastam bois e cavalos. Seria muito interessante que a pavimentação e o uso do entorno preservasse essas características autenticamente coloniais. Ao invés de asfalto, quem sabe um calçamento com pedras ou bloquetes na cor do solo avermelhado? Uma lei poderia regulamentar as construções e terraplenagens neste trecho, além de se tombarem casas e outras instalações, num programa de incentivo (subsídios concretos) aos proprietários, ou desapropriações. Neste trecho, há áreas onde se poderia instalar-se um parque público para o lazer da população local e preservação ambiental.

***A denominação Linha Santa Cruz – e do próprio município de Santa Cruz – alude à Fazenda ou Estância de Santa Cruz, localizada na região serrana do Vale do Rio Pardo (ou Centro-Serra), hoje parte do município de Lagoão (conforme Müller). A chamada Picada do Abel, finda sua abertura em 1849, com o incremento do movimento entre a serra, as comunidade de imigrantes, o Faxinal do João Faria e a sede regional, a cidade de Rio Pardo, passa, mais tarde, a ser conhecida como Linha Santa Cruz, por ser via de acesso à Fazenda de Santa Cruz – numa época em que as fazendas eram os núcleo populacionais mais densos e economicamente mais importantes, por conta da liderança social e política de seus donos (o proprietário da Fazenda da Santa Cruz era parente do presidente da Província...) e local de troca, compra e venda de mercadorias. Especula-se que, por suas vez, o nome “Fazenda de Santa Cruz” viria de uma antiga e grande cruz (“curuzu”), posta por indígenas missioneiros no alto de um pinheiro, a fim de indicarem a sua fé e servir de guia em suas andanças em tempos do domínio jesuítico na região do Vale do Rio Pardo – em torno de 1630, ou seja, cerca de 220 anos antes da introdução de imigrantes germânicos na região e 120 anos antes da instalação de súditos portugueses e trabalhadores negros escravizados no Vale do Rio Pardo.

9 de jun de 2011

Um fantasma racista assombra concursos de beleza


Na minha opinião, concursos de beleza focados em um perfil étnico-racial são extremamente problemáticos. Retirando-se outras questões, como a da “mulher objeto” e a ditadura do padrão estético (magra, alta, jovem etc.), há o componente da discriminação fenotípica – um caminho ao racismo. Se o concurso é “Beleza Negra”, não entram brancas; se é “A Mais Bela ítalo-descendente”, retira-se as demais moças de outras nacionalidades.

No caso do “Miss Germany no Brasil”, pelo que li na imprensa local, o pré-requisito básico é que as concorrentes sejam descendentes alemãs até a terceira geração. Todas muito jovens (de 15 a 25 anos), com os cabelos loiros e pele claríssima, encarnam o estereótipo da “legítima moça alemã” – desconsiderando, aliás, que, na própria Alemanha, o perfil populacional tem um fenótipo muito mais diversificado, com a incorporação de inúmeras origens étnicas, configurando múltiplas cores de pele, tipos de cabelo, cor de olhos, formas de narizes, bocas etc.

O que mais me preocupa – até porque isso ignorado, nem passa pela cabeça dos promotores de tais concursos – é a ideia de “pureza racial” que está na base desses eventos; exige-se a exclusividade (só brancas, só negras, só “germânicas”, só “italianas”), ou seja, a “não-mistura racial”, quando vivemos num mundo cada vez mais a miscigenado e aberto a diversidade. Pode acontecer que, os pais que mantém características associadas a descendências (“alemães”, “italianos”, “africanos”...) e querem que suas filhas um dia concorram em tais certames, terão de buscar seus pares sexuais-reprodutivos entre símiles étnico-raciais. Caso contrário, caso a criança absorva certas cargas genéticas, ficará “imprestável” para concursos etnicamente fechados...

Acho que se deve entender ou relativizar certos casos, como, por exemplo, a escolha da “Mais Bela Negra” de Santa Cruz. O evento foi criado como alternativa a concursos onde as moças negras sequer cogitam em se inscrever, caso da “eleição das soberanas” da Oktoberfest local – a festa onde a “beleza máxima” santa-cruzense é representada por moças brancas. Há, assim, no “Mais Bela Negra”, uma compensação, buscando valorizar também a beleza de mulheres negras, ordinariamente, como já disse, impedidas – implícita ou explicitamente – de participar do certame (estético feminino) por seu explícito “corte étnico”.

23 de mai de 2011

Casamento gay e castidade


Em nota da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), saída em 13 de maio último, repudiando a aprovação do Supremo Tribunal Federal (STF) à união estável entre homossexuais, é dito que “A diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural”.

Também pode ser dito que o celibato não é natural, posto que o exercício da sexualidade é um impulso inerente ao ser humano, constituindo-o; está em sua origem, não revogável e cuja repressão pode acarretar comportamentos socialmente execráveis, aberrantes, patológicos, caso da pedofilia. Ou, o que é bem menos grave, há um outro possível subproduto dessa “economia sexual artificial”: o afloramento de relações sexuais – homo ou heterossexuais – clandestinas, marginais, contando com a complacência de vigilâncias institucionais, incapazes de frear de todo “o que Deus deu aos humanos”: o corpo e a energia que os levam a busca satisfação sexual.

O celibato é uma opção cultural (“não natural”) tanto quanto o é a união homoafetiva – assim como qualquer tipo de casamento é algo culturalmente instituído, e não "da natureza". Invocar a autoridade das palavras bíblicas também é um ato puramente cultural – começando por exigir a compreensão de uma língua e a manipulação de formas de registros puramente humanos (pergaminhos ou livros, por exemplo). De modo amplo, se poderia dizer que “Deus é cultura”. Nós o inventamos e o inventamos de inúmeras formas ao longo da história da humanidade (nem por isso acaba-se o mistério profundo da existência e as possibilidades que transcendem o "racional").

A monogamia, ou melhor, o casamento monogâmico, também seria uma estrutura “natural”, “um princípio fundamental do Direito Natural”, conforme a nota da CNBB (para mim, eivada de posições fundamentalistas, abrandadas, agora, por uma “tolerância” à homossexuais; um “respeito” aos homossexuais). Mesmo que a própria Bíblia tenha inúmeras referências à poligamia, caso a dos patriarcas bíblicos, sem contar os múltiplos estudos antropológicos e de história, demonstrando a diversidade de configurações familiares para além do “modelo” monogâmico “papai, mamãe e filhinhos” – um arranjo relativamente recente, aliás, ligado à constituição do Estado, da propriedade privada, do capitalismo contemporâneo, conforme nos apresentou Engels (ilustração acima - Frederich era o primeiro nome do barbudo) no antológico “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, publicado em 1884. Mesmo com isso tudo – ao arrepio de todas indicações e limites da família monogâmica no passado e na contemporaneidade (onde coexistem diversos arranjos familiares em que as crianças se desenvolvem) –, insiste-se que tal instituição socialmente construída corresponderia “a eternos desígnios de Deus”...


*No “Prefácio à quarta edição” de “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, datada de 1891, Engels fala dessa conceituação fundantalista (fundada em escritos religiosos, ou seja, na Bíblia, coletânea literária tida como inquestionável) sobre família, como se fosse um entidade "natural" e “ahistórica”:


“Até o início da década de sessenta [1860], não se poderia sequer pensar numa história da família. As ciências históricas ainda se encontravam, nesse domínio, sob a influência dos Cinco Livros de Moisés. A forma patriarcal da família, pintada nesses cinco livros com maior riqueza de minúcias do que em qualquer outro lugar, não somente era admitida, sem reservas, como a mais antiga, como também se identificava – exceptuado-se a poligamia – com a família burguesa de hoje [1891], de modo que era como se a família não tivesse evolução alguma através da história.”


**Friederich Engels (1820-1895), intelectual alemão da mais alta importância mundial, escreveu um volume muito importante de obras – individualmente e em dupla com seu grande companheiro de pensamento e luta, Karl Marx (chegando a eclipsar-se no esforço de projetar a obra do amigo e correligionário), além de ser seu editor até a posteridade. Mesmo que consideremos limites e contextos próprios da época, seus escritos possuem reflexões, argumentações e informações preciosas para se desenvolver uma visão ampliada da sociedade, da economia, do pensamento e da história humanas. Engels é uma daqueles pensadores-ativistas que fez muita diferença no mundo em que vivia – e ainda o faz – com uma criticidade que revolucionou o modo de compreender muitas coisas. Os insucessos e tragédias do "comunismo real" também não desabonam os esforços de escritor, polemista e militante socialista. Sim, devemos considerar uma multiplicidade de compreensões cosntruídas por pensadores que sucederam Engels na tentativa de "decifrar o mundo". Mas dentro da busca de conhecimento sobre a vida social humana, ninguém deveria deixar de "beber" - ao menos alguns goles - da biografia e bibliogradia do genial e corajoso Friederich.

16 de mai de 2011

Choperias e drogarias


Interessante que, na contramão de críticas ao álcool e campanhas contra o seu consumo, tenham surgido tantas choperias por este Brasil afora. Em Santa Cruz, faz poucos dias, mais uma choperia foi inaugurada (devemos ter umas cinco, fora outros locais que têm máquinas de chope). Ou seja, locais onde a principal atividade, por onde tudo gira, é o consumo de bebida alcoólica, no caso, o milenar fermentado amarguento com poderes enebriantes servido em copos e canecos. O que, por um lado, é condenado – nas restrições e avisos de cuidados à saúde –, por outro – na profusão de choperias apresentadas como locais aprazíveis –, recebe um e status de boa sociabilidade, muita diversão e relax; são locais requintados, charmosos, badalados, de grande afluxo de pessoas – pessoas descoladas, jovens ou de espírito jovem, a fim de uma conversa espirituosa e flertes diversos; são dessas típicas instituições públicas e privadas – como as praças, avenidas, igrejas, shoppings, salões de baile – onde se exercita o atávico hábito do encontro social, como já o foram, mais intensa e antigamente, as (num exemplo mais próximo) cafeterias e as casas de chás. Obs.: talvez o exemplo mais próximo ainda seja das antigas casas onde se consumia o ópio (segue um complemento abaixo sobre isso).

Ocorre que o chope, como bebida, não é comparável – assim como a cerveja – ao um pingado ou uma taça de chá preto. O efeito alterador dos sentidos e da consciência é bem diferente do estímulo da cafeína. Pode ser fatal. Se não no curto prazo – quando o cara perde a direção no automóvel e se espatifa num poste (quando não atropela pedestres) ou se envolve em uma discussão tão besta quanto sangrenta –, no longo prazo mata seguidamente, quando aparecem doenças decorrentes, entre elas, a cirrose hepática e a terrível dependência química. Entre o tomar um chopinho com os amigos e a decadência do alcoolismo tem um “pulo do gato” bem sutil, indefinível, sorrateiro...


É sintomático que choperias e farmácias estejam em proliferação pelas cidade. Somos uma sociedade que precisa de drogas – incluindo especialmente (e massivamente) as chamadas legalizadas ou lícitas, como os calmantes e as pilsen.

*Eu não deixo de frequentar drogarias e choperias. Há remédios indispensáveis e não é ruim o cara tomar um chope e bater um papo. Minha preocupação é com a banalização do remediar-se e do embebedar-se, fazendo-se isso costumeiramente, como se fosse “natural”, apoiando-se numa propaganda intensa e numa disponibilidade assediante.


**Achei uma ótima síntese de informações para traçar um paralelo entre o consumo de álcool e do ópio, e das choperias e casas de ópio. Retirei do site do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC), órgão do governo do Estado de São Paulo. Vai aí:

Ópio

Aspectos históricos e culturais

O ópio ("suco", em grego) é obtido a partir de um líquido leitoso da cápsula verde da papoula (Papaver somniferum), planta que cresce naturalmente na Ásia. É também chamada de "dormideira", sendo originária do Mediterrâneo e Oriente Médio.

Quando seco, o suco passa a se chamar pó de ópio. O ópio é apresentado em barras de cor marrom e gosto amargo que podem ser reduzidas a pó. Quando aquecido, produz um vapor amarelo que é inalado. Pode ser dissolvido na boca ou ingerido como chá.

A papoula é legalmente cultivada, servindo de fonte de matéria-prima a laboratórios farmacêuticos. Contudo, em sua maioria, as plantações são ilegais e destinam sua produção ao comércio clandestino de ópio e heroína.

Entre os gregos antigos, o ópio era revestido de um significado divino como símbolo mitológico poderoso. Os seus efeitos eram considerados como uma dádiva dos deuses, destinada a acalmar os enfermos.

Na China, desde tempos imemoriais, a planta da papoula era símbolo nacional (tal como os ramos do café no Brasil). Parece que o ópio foi introduzido na China pelos árabes no século IX ou X.

As provas mais antigas do conhecimento do ópio remontam às plaquinhas de escrever dos sumerianos, que viveram na baixa Mesopotâmia (hoje o Iraque) há cerca de 7.000 anos.

O conhecimento de suas propriedades medicinais chega depois à Pérsia e ao Egito, por intermédio dos babilônios. Os gregos e os árabes também empregavam o ópio para fins médicos.

O primeiro caso conhecido de cultivo da papoula na Índia data do século XI. No tempo do império Mongol (século XVI), a produção e o consumo de ópio nesse país já eram fatos normais.

O ópio era conhecido também na Europa na Idade Média, e o famoso Paracelso o ministrava a seus pacientes.

Quando utilizado por prazer, era ingerido como chá. O hábito de fumar ópio conta umas poucas centenas de anos. Em muitas sociedades orientais tradicionais, recorre-se ao ópio contra dores nas enfermidades do corpo mas, também, como tranqüilizante. É também instrumento de relaxamento e de sociabilidade.

No século XIX, a "British East India Company" produzia ópio na Índia e o vendia para a China. A insistência do governo chinês em reprimir a venda e o uso da droga que se alastrava, levou a um conflito com a Inglaterra, conhecido como a "Guerra do Ópio". Os ingleses obrigaram a China a liberar a importação da droga e como resultado, em 1900, metade da população adulta masculina chinesa era descrita como dependente da droga.

Amplamente aceita como droga recreativa no Oriente, e comprado livremente na Inglaterra e Estados Unidos, até fins do século XIX, o ópio provocou o surgimento de "casas de ópio" na maioria das cidades européias. Foi somente no início do século XX que o seu consumo começou a ser proibido.

FONTE: http://www.imesc.sp.gov.br