21 de dez de 2009

Aliens... of the deep


Talvez vários aqui já tenha assistido este documentário (produção de 2004, da Disney Pictures) do diretor Cameron, de Titanic e, agora (2009), de Avatar. Por conta de uma reportagem que li na Veja (16/12/2009), fui pesquisar o filme no YouTube e achei até uma versão dublada em português (há legendada também). É algo muito muito bacana para quem gosta de pesquisas sobre lugares, estruturas, fenômenos e seres que jamais estão e acontecem na crosta terrestre. No caso, lugares e criaturas onde a luz solar, nosso alimento primevo, do qual somos totalmente dependentes, não atinge. A ecuridão é completa e está assim por milhões de anos. Literalmente, um outro mundo...

O título em português – Criaturas das profundezas – perdeu bastante a conotação, digamos assim, ufológica, ao optar pela palavra “criaturas” ao invés de “alienígenas” (Aliens of the deep). Uma pena e talvez haja aí um preconceito embutido nessa “opção”...


Na equipe do projeto capitaneada pelo obstinado James, estão não só biólogos marinhos, mas astrofísicos e exobiólogos - caracterizando que ali se estava lidando, buscando, investigando vida alienígena, seja na Terra ou outros lugares.

Há cismólogos – especializados em vulcões submarinos, astronautas e técnicos que trabalharam em missões espaciais, incluindo russos e seus equipamentos. Falam do programa Seti, o Search for Extra-Terrestrial Intelligence, um programa que busca sinais emitidos por seres inteligentes, mas que, por congregar instituições como a Nasa, não tem a apreciação jocosa, carregada de menosprezo, que tem a investigação mesmo quando parte dos mais sérios ufólogos mundiais...

O pessoal chega a profundidades de mais de 3 mil e 500 – três quilômetros e meio para baixo da água – uma massa absurda como teto; uma “atmosfera” de um peso insuportável; ambientes completamente fatais para os humanos.

Lá há seres que não necessitam de sol, prescindem da fotossíntese; sobrevivem do calor e produtos químicos – fazem uma quimiosíntese. Algo completamente diferente e também não-imaginável; pressões e temperaturas contrastantes – do congelante ao calor de 400 graus (Celsius) em poucos segundos ou centímetros...


Além das imagens fabulosas das criaturas e ambientes, o documentário faz fusões, mostrando as ligações entre a exploração de vidas marinhas nas altas profundidades e as possibilidades de vida em luas de Júpiter, por exemplo. Há uma fantástica especulação sobre a vida em Europa, que poderia guardar semelhanças com a vida encontrada no fundo dos oceanos da Terra.

E os submergíveis são naves espaciais explorando - não o espaço ou atmosferas de planetas, mas espaços onde humanos jamais estiveram, mas têm similaridades e utilidades posteriores para a pesquisa de vida extraterrestre.

Todo a eletricidade, a excitação da aventura, a emoção das visões, de verdadeiras descobertas, desvelamentos comoventes. Aparecem em frente aos olhos criaturas bizarras se movimentando – peixes, lulas, águas-vivas de formatos, detalhes e cores que talvez nem a mais poderosa imaginação poderia moldá-las – que dirá dar-lhes vida. Uma inteligência misteriosa e inacessível em seus desígnios está todo tempo se anunciando nestes “aliens” das profundezas oceânicas. Anunciam que a vida pode se constituir de modos além do poder humano de compreensão. Resta-nos o maravilhamento, a contemplação boquiaberta da nossa grande limitação – embora todos os aparatos tecnológicos e reflexões especulativas que desenvolvemos e nos possibilitam manipular forças e recursos da natureza.



Ao deparar-se por uma incrível situação de simbiose entre uma espécie de verme e bactérias cilíndricos, nas cores branco e vermelho, respectivamente, alimentando-se do calor e sulfatos emitidos por jatos do fundo da terra, a cientista se pergunta:

“Não teríamos imaginado estes animais se não existissem. Pergunto-me: o que mais haverá no oceano à espera de ser descoberto?”

Cameron diz que apesar de quão estupendos possam ser seres como os micróbios, ele deseja é encontrar-se com criaturas que sejam “bons conversadores”. Como muitos de nós, James quer estabelecer uma comunicação o mais próxima possível do verbal ou ao menos telepática... Tudo indica que esse dia chegará – se é que já não chegou...



Aliens of the Deep (Criaturas das Profundezas)

Sinopse (Interfilmes):

O cineasta James Cameron deixou bem claro seu interesse pelas profundezas do oceano ao filmar Titanic. Desde esse seu grande sucesso, Cameron não tem investido muito no trabalho atrás das câmeras até a produção deste documentário em média-metragem que se trata de um mistério do fundo do mar: a possível existência de vida extraterrestre, de acordo com algumas teorias. Acompanhado de jovens cientistas da NASA e biólogos marinhos, Cameron parte para uma expedição e compartilha com os espectadores esses mistérios.

Sinopse (reproduzida no YouTube):

Vermes de quase dois metros, caranguejos cegos, uma biomassa de camarões brancos. Prepare-se para uma incrível viagem com o diretor vencedor do Oscar, James Cameron (Melhor Diretor, Titanic, 1997), e faça contatos com um mundo completamente diferente. Em uma emocionante aventura sob a água, conheça criaturas alienígenas que vivem sem a luz do sol, em um ambiente em que a água pode congelar ou ferver a qualquer momento. Seriam estas criaturas indícios da existência de vida fora do planeta? Divirta-se com impressionantes descobertas.

Um link com a primeira parte do documentário no YouTube:

http://www.youtube.com/watch?v=ROMEmk8U8vs

19 de dez de 2009

Fermentação entérica ameaça o planeta



Pessoal,

Juntando uns e-mails da lista do MGU, montei a seguinte reflexão, aproveitando que está terminando a COP15.

Abraços!

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Fermentação entérica ameaça o planeta

Esta findando a conferência de Compenhague, a COP15. Assunto fundamentais para a sobrevivência da nossa "Nave Mãe" estavam e estão em jogo. Um fato que achei bastante interessante se refere a uma das nossas manipulações da população terráquea: a dos bovinos, nossos irmãos (reportagem no final). Um número estratosférico (!!!) desses seres e companheiros terráqueos, que predamos para nossa alimentação, ao emitirem em especial seus "arrotos" digestivos (os técnicos chama de "fermentação entérica"), num volume constante e impressionante, ao se somarem com outras consequencias da pecuária intensiva, tem significado "quase a metade de todos os gases causadores do efeito estufa no Brasil".

Ou seja, nossas relações com outros seres terrestres é de uma dominação bárbara, irresponsável e estúpida, porque ameaça até mesmo aquele que se pretende "O Rei da Criação"... Se agimos assim, sem consideração ao próprio planeta e companheiros animais e vegetais que conosco convivem, como seria com outros seres e lugares???

Falando em gado, eu tenho simpatias pelo vegetarianismo. Há mais de 20 anos não costumo comer carne, em especial de mamíferos. Em muitas concepções de formação da corporidade animal (incluindo o animal humano, obviamente), existe o "corpo astral", campo energético que mantem-se agregado ao corpo físico por tempos, mesmo após a morte, interferindo na "astralidade" da pessoa que consome a carne, com consequências físicas e “espirituais” no sujeito “carnívoro”.

Não como carne também por motivos estéticos - acho meio horripilante um animal esquartejado, como se vê em açougues. E motivos éticos: o sofrimento de um boi ou porco são tão evidentes; os gemidos, gritos e o pavor tão notórios, que tento evitar a cumplicidade com a crueldade implicada (cumplicidade) na matança.

Como onívoros conscientes, nós, animais humanos, podemos escolher nossa alimentação. Eu como carne esporadicamente, caso sinta muita vontade ou necessidade protéica, ou queira compartilhar com outras pessoas um determinado momento de refeição ou festejo. Muitos povos são carnívoros quase 100%, caso dos esquimós, pelo que sei. Morreriam se não comessem outros animais. Claro que isso parece ser feito - a morte, a caça, a preparação e o consumo (e não só os músculos são comidos, mas até o conteúdo do estômago e intestino) - dentro de uma ritualidade e enorme respeito ao ser sacrificado.

Mas voltando ao assunto anterior, na notícia justamente me chamou a atenção é que não se trada dos "flatos" (“peido” ou “pum”, no popular) dos bovinos ou outro animal. Essa grande quantidade de metano (CH4) que colabora no efeito estufa é produzida por herbívoros, que possuem o "rúmem", o "pré-estômago", e então "arrotam" o gás naturalmente, dentro do seu processo digestivo, a tal "fermentação entérica" mencionada - uma característica dos ruminantes.

Mas a nocividade vem, na verdade, da quantidade ou volume produzido. Uma coisa é meia dúzia de bois; outra, é uma população de milhões "arrotando" ao mesmo tempo e sem parar...
E quem desenvolveu uma população bovina desse tamanho aberrante?? Ora, quem se não os queridinhos de Deus ("Crescei e multiplicai-vos...")? Aqueles que se acham o "ápice" do processo evolutivo do Cosmos...

Sobre a pesquisa, inclui na chefia dos trabalhos um cientista do INPE, o nosso Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, além da Universidade Federal de Brasília (UnB) e outras instituições que me parecem confiáveis.

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Metade das emissões de gases-estufa do Brasil vem da pecuária

Publicada em 11/12/2009 às 11h03m

BRASÍLIA - O rebanho bovino brasileiro emite anualmente quase metade de todos os gases causadores do efeito estufa no Brasil. E a abertura de novas áreas de pastagens responde por 75% da área devastada na Amazônia e por 56,5% no Cerrado do país, estima um estudo inédito coordenado pelos pesquisadores Mercedes Bustamante (UnB), Carlos Nobre (Inpe) e Roberto Smeraldi (Amigos da Terra).

O levantamento, a ser divulgado amanhã na conferência sobre mudanças climáticas em Copenhague, aponta para o " potencial " de redução de emissões pela pecuária nacional. Essa concentração das emissões do país num único segmento seria, segundo os pesquisadores, " a mais importante " oportunidade de mitigação no Brasil.

"Devemos caminhar para uma agricultura integrada ao ambiente tropical, científica e tecnológica, que aumenta sua eficiência, diminui seu impacto ambiental, inclusive em emissões" , diz o climatologista Carlos Nobre. As opções de mitigação pelo setor "não implicam o corte na produção atual" e podem ser compatíveis com a " elevação moderada " da produção. A compensação ambiental poderia ser feita via redução do desmatamento, eliminação do fogo no manejo de pastagens, recuperação de áreas e solos degradados, regeneração da floresta secundária, redução da fermentação entérica e implantação do sistema misto de integração lavoura-pecuária.

A pesquisa avalia as três principais fontes de emissão do setor: desmatamento para formação de pastagem e queimadas da vegetação derrubada, além de queimadas de pastagem e fermentação entérica do gado (o chamado " arroto " do rebanho). O estudo não considera, porém, emissões de solos de pastagens degradadas, da produção da ração, de grãos, do transporte e dos frigoríficos. Os cálculos seriam assim " conservadores " , pois não foi computado ainda o desmatamento fora da Amazônia e do Cerrado.

O estudo, assinado por dez cientistas, diz que as emissões da pecuária bovina caíram para 813 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente no ano passado, de 1,09 bilhão de toneladas em 2003. A emissão total associada à pecuária na Amazônia passou de 775 milhões de toneladas de CO2 a 499 milhões. No Cerrado, o volume foi de 231 milhões de toneladas a 229 milhões. Nas demais regiões do país, as emissões passaram de 87 milhões a 84 milhões.

O trabalho científico avalia que a alteração no cenário das emissões deve incluir o fim da impunidade nas grilagens de terras da União na Amazônia e a aplicação do decreto de crimes e infrações ambientais. " Há uma relação clara entre essa impunidade, a especulação fundiária desenfreada e a degradação das florestas, especialmente na Amazônia " , afirma. A implantação de grandes frigoríficos seria o " principal motor " da expansão descontrolada e sem precedentes da atividade pecuária.

" A sustentabilidade econômica da indústria da carne requer drástica queda em carbono-intensividade " , diz Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra.

FONTE: http://oglobo.globo.com