12 de abr. de 2011

Ford recebe medalha de Hitler (a utopia capitalista de Henry no meio da Amazônia)


Uma curiosidade muito significativa. Eu não sabia – e acho que a corporação faz todos os esforços para que isso não seja muito divulgado – que Henry Ford, criador do Império Ford – e que implementou a produção capitalista por excelência no século XX, donde derivou o termo técnico “fordismo” – era admirador entusiasmado do nazismo e ferrenho antissemita, embora empregasse judeus em suas fábricas (assim como o regime de Hitler o fazia – até a exaustão física das pessoas).

Na matéria "A pastoral americana", da revista Pesquisa Fapesp (de abril de 2009) é dito que

“o industrial americano Henry Ford (1863-1947), fundador da Ford Motor Company e o primeiro empresário a aplicar a montagem em série para produzir automóveis em massa, viajou à Alemanha para receber, tal qual um herói, uma alta condecoração por seu apoio ao nazismo e à luta antissemita (Hitler tinha uma foto dele em seu gabinete)”.

A matéria é toda interessante. Vai aí em baixo o link para quem quiser conferir. Fala sobre uma tentativa de Ford, de forma muito pessoalizada, estabelecer cidades-modelos (uma utopia capitalista) no interior da Amazônia brasileira, para a produção do látex, matéria fundamental para os “pneumáticos” de então (o “boom” da borracha de látex ocorreu primeiro com a massificação da bicicleta). Fordlândia e Belterra chegaram a existir. O projeto, que teve apoio entusiasmado de governantes, consumiu na época 20 milhões de dólares da empresa. Hoje restam prédios abandonados.

Imposições como aveia no café da manhã (para caboclos criados com outros hábitos alimentares) e proibições moralistas contra, por exemplo, a prostituição – dentro de uma idealização do “jeito americano de viver” –, ajudaram a minar o utopismo conservador do mega-empresário norte-americano.

http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=3822&bd=1&pg=1

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