17 de set de 2012

Garrafada na cabeça

Seguido ouço dizer que “racismo é coisa que não existe mais”; “isso é uma bobagem, hoje somos todos iguais”; “não há mais preconceitos, ainda mais entre os jovens”...

Bueno, além de desconsiderar todo um avanço de células nazifascistas na Europa (inclusive Alemanha), constituídas basicamente por pessoas de 20 anos, além de todos os indicadores socioeconômicos brasileiros (colocando a população nos piores patamares de educação, posição social e qualidade de vida), além desses aspectos de indicadores técnicos e noticiários cotidianos, parece que se desconsidera atos como o ocorrido há poucas semanas (10 de agosto de 2012) aqui pertinho. Pois numa estação do Trensurb de Porto Alegre (Estação Mercado) um jovem (21 anos) se fez um desafio perante um amigo que estava nesse banheiro público: “o primeiro negro ou mendigo (olhem que correlação interessante!) que aparecer, eu vou dar uma garrafada (de uísque) na cabeça do maldito”. Dito e feito: um outro jovem, de 24 anos, negro, antes de embarcar para o trabalho, entrou no banheiro da estação e, enquanto urinava, recebeu, de costas, a garrafada na cabeça, como detalhou o jornal (Zero Hora, 11/08, p. 40).

Ou seja, um jovem porto-alegrense, nesta segunda década do século XXI, movido pelos mais tacanho preconceito social e ódio racista, agride barbaramente outra pessoa por ela identificada como negra e, portanto, passível de um tratamento aberrante, desumanizador, de inaudita e potencialmente letal violência.

E esse rapaz passou por uma escola e viveu aqui no RS – e não em Marte ou na Josnesburgo do famigerado Apartheid – o seu processo de socialização... O que aconteceu, então? Mas, mesmo assim, dizem que “o racismo não existe entre nós” e essa é “uma questão menor”... Menor para quem não leva a garrafada na cabeça por conta de sua aparência...

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