16 de ago de 2013

Sobre a Femen - feminismo de peito aberto (e um pouco sobre Lisabeth Salander)



Acho a Femen um movimento muito corajoso e no espírito dos novos tempos – um novo feminismo para uma nova mulher, cansada do patriarcalismo repressor e do mais descarado moralismo de cuecas (também conhecido como hipocrisia deslavada). Esse escândalo porque as mulheres mostram os seios... Pô! Qual a razão? Pois o símbolo da revolução francesa e da própria democracia não é uma mulher assim, “com os peitos de fora”, empunhando um bandeira ou algo assim, num quadro pintado (por Delacroix) no século retrasado?? Além do mais, por que não escandaliza os homens circularem sem camisa, mostrando os seus “tites”? Santa cretinice, minha gente!

(Na ilustração de divulgação acima, uma mobilização da Femen.)


Li numa reportagem no G1 uma definição da Femen, mobilização surgida na Ucrânia e com sede mundial na França e núcleos pelo mundo:

“Feministas [que] costumam fazer protestos aparecendo seminuas e com os corpos pintados, promovendo ações em todo o mundo para denunciar principalmente o sexismo e as descriminações sofridas pelas mulheres. O grupo também manifesta contra a homofobia, a relação entre o Estado e a Igreja, os regimes autoritários e fraudes eleitorais, geralmente com suas integrantes fazendo topless.”

***A ação feminista da Femen me lembra a personagem da trilogia literária e cinematográfica "Milenniun", a jovem punk Lisbeth Salander. Li pequena partes da trilogia e assisti a adaptação para filme do volume "Os homens que não amavam as mulheres" - tanto a sueca como a holiwoodiana. Muita coisa interessante. Começando, justamente, pela reação nada passiva de Lisabeth aos abusos e ao estupro. Não está mais do que na hora de sair do choro, da lamentação e afrontar na cara essa masculinidade idiota, troglodita? E é isso que a moça - inteligente, ágil, forte e independente - faz! FAZ! Posso não concordar com sangueiras coreografadas, mas fica a mensagem da reação.

Outra coisa que me chamou a atenção é a criminalidade de colarinho branco e a relação histórica da Suécia com o nazismo, além dos ódios e comportamentos doentios fermentados por debaixo da pequena camada de gelo sólido das aparência em famílias bem postas, bem abonadas, bem educadas na civilizadíssima Europa do Norte.

Sobre o autor da trilogia, a editora Comphania das Letras divulga o seguinte, que vem bem a propóito:

"Stieg Larsson (1954-2004) foi fundador e editor-chefe da revista sueca Expo, que denuncia grupos neofascistas e racistas. Especialista na atuação das organizações de extrema direita em seu país, é coautor de Extremhögern, livro no qual põe o assunto em evidência."

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