5 de nov de 2013

Deus & Darwin...


Sim, é exagero – ou “dramatização” – e até uma injustiça dizer que Charles Darwin teria “assassinado Deus” ou coisa que o valha.

Na sua autobiografia, escrita em 1876 (publicada em português pela ed. Contraponto, 2000, com notas do seu próprio filho, Francis Darwin), o naturalista diz (pouco tempo antes de morrer):...

“Considerando a fúria com que tenho sido atacado pelos ortodoxos, parece ridículo que um dia eu tenha pretendido ser pastor. Essa intenção, assim como o desejo de meu pai nunca foram formalmente abandonados. Morreram de morte natural quando, ao sair de Cambrige [a universidade], embarquei no Beagle como naturalista.”

Na contracapa desta autobiografia, destaca-se o seguinte:

“Eu era ortodoxo na época em que estive a bordo do Beagle. Lembro-me de provocar gargalhadas em vários oficiais por citar a Bíblia como uma autoridade incontestável (…). Nesse período, entretanto, percebi pouco a pouco que o Velho Testamento (…) não merecia mais confiança do que livros sagrados dos hindus ou as crenças de qualquer bárbaro. (...) Fui tomado lentamente pela descrença, que acabou sendo completa. A lentidão foi tamanha que não senti nenhuma aflição, e desde então nunca duvidei de que minha conclusão foi correta. Aliás, mal consigo entender como alguém possa desejar que o cristianismo seja verdadeiro.”

Sobre a expressão “Deus”: Também se pode dizer que se trata de uma palavra que usamos para designar aquilo que está afastado da nossa possibilidade cognitiva, de nossa capacidade de compreensão e explicação, derivada da conformação e funcionamento de nosso cérebro, produto evolutivo, assim como são os cérebros de outros primatas e tantos outros animais. Eu prefiro ser mais direto e menos “misterioso”, dando espaço a cultuações mais limitadoras do que simplesmente admitir os nossos limites biológicos, psíquicos, perceptivos. Sempre me pergunto: Para que serve a afirmação de que Deus existe? Muitas vezes, é para nos dar falsas esperanças e, para alguns, dominarem uma massa imbecilizada, carentes de certezas e felicidade de viver. Assim, “Deus” poderia ser chamado também de “Aquilo que Ignoramos” ao invés de um “Ser Supremo”. Quem pode saber o que há na escuridão enorme que nos rodeia há palmos de nossas mentes? Deus pode, mesmo, não passar de mais uma ilusão, ou, como disse Dawkins, um delírio...

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