29 de nov. de 2013

Ainda sobre escola

Pensando sobre ESCOLA em uma sequencia de comentários em um post de um amigos aqui no Face:

Eu concebo que a escola, muitas vezes, mata a vontade de saber; forçando o “saber”, produz o desgosto. Por sorte, muitos “recuperam” o “paladar” ou são menos afetados pelo ambiente opressivo de certos educandários (isto começa já pela frequência obrigatória, penalizável, a salas insalubres, onde se confina por horas, numa caixa apertada, sob carteiras apertadas, desde cedo da manhã [7h30min], uma gente cheia de vitalidade e hormônios em ebulição). Há alternativas, com ambientes mais abertos (em vários sentidos), como acontece, pelo que pude ver e fui informado, na educação básica da Finlândia ou nas alternativas como a Summerhill School, fugindo do medievalismo – que, de tão caquético, não funciona mais com as gerações contemporâneas (daí a choradeira de muitos catedráticos), mantendo-se somente por inércia institucional, por necessidades do status quo. Não digo isso sozinho, evidentemente. Apoio-me no que pude entender de pensadores ligados à educação, como o próprio Alexander Neill (Summerhill), em Ivan Illich, Paulo Freire, Ruben Alves e – não poderia faltar – Michel Foucault, entre vários outros.

E um já clichê quando pensamos em escolas é a canção (parte II) “Another Brick In The Wall”, lançada em 1979, da banda britânica Pink Floyd, fazendo parte do álbum conhecidíssimo “The Wall”; a composição é do baixista Roger Waters, constando vários elementos autobiográficos. O álbum foi adaptado no filme homônimo, também muito famoso, dirigido por Alan Parker.

Segue a letra e um link para a parte do filme onde a canção é “encenada”. (Lembro-me do impacto deste filme quando, nos anos 80, fui assisti-lo com amigos no Cinema Baltimore, em PoA, em minha época de estudante universitário, com inédita tela maior e som estéreo, aumentando ainda mais o impacto daquele “tijolo no muro”... )

Another Brick In The Wall (part II)

We don't need no education
We don't need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teacher! Leave them kids alone!
All in all, it's just another brick in the wall
All in all, you're just another brick in the wall

http://www.youtube.com/watch?v=xpxd3pZAVHI

Sim, escolas tão opressivas e massificadoras – como as que se retratam canção do Pink Floyd – nem mais se sustentariam. A própria legislação veda/veta (ECA, LDB, a própria Constituição) e as relações de autoridade (alunos x professores, pais x filhos etc.) modificaram-se muito por inúmeras razões. Mas como uma caricatura da situação, acho que serve, refletindo sobre os educandários (o jornalista da Superinteressante, Denis Russo, esses dia, aqui no auditório da Unisc, lembrou o quanto nosso modelo de escola é britânico, fordista).

Sobre a Finlândia, eu mesmo conheci no ano passado o professor Tapio Varis, da Universidade de Tampere, que palestrou e fez visitas em Santa Cruz (e outras universidades comunitárias do RS), abordando o sistema de ensino finlandês; também recentemente, tenho um colega de trabalho que voltou de um intercâmbio na Finlândia.

Pois é. Penso que o modelo escolar força certas metodologias. É muito difícil romper. Daí estudantes, pais, professores e técnicos nos educandário se verem enredados em imposições, “exigências”, cada qual cobrando performances uns do outros. Acho que pensar que “o problema” é “o aluno” é desconsiderar a complexidade da coisa toda e também o tamanho das modificações que precisaríamos fazer nas escolas para fugir da situação que, ao cabo, é alienante, tentando ser o contrário disto (mais ou menos como acontece com aquelas crianças do filme “A fita branca”, onde a rigidez cristã não produz crianças dóceis e sinceras, mas violentas e dissimuladas). De novo, não sou eu, “o iluminado”, “o rebelde” que está dizendo isso. Já citei vários pedagogos e tenho a minha trajetória (mesmo que errática) de professor desde o começo dos anos 90.

Mencionei que a noção de autoridade se alterou bastante. Assim, também, a de “respeito”. Sim, “não é como era antigamente”. Mesmo! Vai se diferindo a cada nova geração. Minha geração tinha um respeito com os professores já muito diferente da geração dos meus pais com os professores deles, e que, por sua vez, era diferente da do tempo da dos pais deles (meus avós) etc. Nem Papa, nem presidente (presidenta!) da república, nem para com a nobreza da Inglaterra têm os britânicos a mesma consideração “de antigamente”! E eu acho que está melhor assim, mais aberto, horizontal, mesmo que seja um tanto desconfortável pelas indefinições e descompassos entre mentalidades (das pessoas) e instituições (a burocracia estabelecida).

Não acho que haja “culpados” na escola. O que me parece haver é uma estrutura reacionária, conservadora – mas que, mesmo resistindo, vai se alterando, “entregando os pontos”.

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