23 de dez de 2010

E se “eles” viessem através de um cogumelo, e não em discos voadores?


A mensagem extraterrestre pela chave enteógena

No conto
Entrevista com um alienígena, o escritor Alexandre Raposo nos apresenta uma hipótese das mais interessantes. Começa por uma citação do pesquisador norte-americano Terence McKenna:

Apsilocina, substância em que a psilcibina se transforma assim que entra em nosso metabolismo, é 4-hidroxidimetiltriptamina. Trata-se do único indol com quatro substituições em toda a natureza orgânica. Pensem um pouco nisso. É o único indol que se conhece na Terra com quatro substituições. Acontece que a psilocibina é a substância alucinógena que ocorre em cerca de oitenta espécies de cogumelos, a maioria das quais é nativa do Novo Mundo. A psilocibina tem uma característica única que nos diz: ‘sou artificial; vim do espaço.’ Sugeri que se tratava de um gene – um gene artificial – transmitido talvez por um vírus espacial ou algo que foi trazido artificialmente para este planeta, e que esse vírus insinuou-se na constituição genética desses cogumelos.”

Um camponês latino-americano de origem indígena – ou uma sua imagem e semelhança – está conversando com o protagonista, um arqueólogo acampado em meio a alguma escavação de estudo. Esse “ser” tenta explicar quem ele é, de onde veio, como veio, como está ali; o que ele vai dizendo contraria toda a visão “clássica” sobre ETs, discos-voadores e quejandos.


A “projeção”
do camponês diz ao arqueólogo: “Não sou um ser vivo. Não sou um indivíduo. Mas também não sou um deus, nem uma máquina e nem um daqueles extraterrestres invasores de corpos que povoam a imaginação dos seres humanos de hoje em dia.”

Na verdade, o processo começa com um vírus vindo – melhor dizendo, enviado – do longínquo espaço sideral, que chega a Terra – como uma sonda do tipo Viking, mas não com instrumentais eletromecânicos, e sim “biocatalizadores” – com a missão e capacidade de “alterar uma forma de vida primária de base carbono, de modo a fazê-la produzir certas substâncias as quais, assimiladas pelo cérebro de uma criatura superior [um humano, por exemplo], a tornaria capaz de decodificar a informação que queríamos transmitir”.

O “camponês” continua: “Era a única maneira de preservar a imensa experiência cultural da civilização que represento”, desencadeando uma “reencarnação das memórias e, principalmente, das idéias de bilhões e bilhões de indivíduos geniais”. “No momento em que estou ativo em seu cérebro, é como se todos aqueles a quem represento voltassem à vida, para compartilhar conhecimentos, idéias, memórias e sensações muito antigas.”

Assim, a mensagem de civilizações extraterrestres é revelada por uma “chave psicoquímica”, presente em enteógenos – agentes de mutação da consciência ordinária por seu efeito nas funções cerebrais –, como certos cogumelos, entre outras espécies de fungos e vegetais terráqueos.

Ocorre que, costumeiramente, somos induzidos a conceber supostos seres e objetos extraterrestres de uma maneira bastante padronizada, “materializada”. Tanto as publicações especializadas em ufologia, como as ficções literária e cinematográfica – que parecem se retroalimentar (às vezes viciosamente) – constroem um “senso comum” limitado sobre ETs e suas formas de tecnologia de deslocamento e contato com os seres humanos, obliterando outras alternativas.

De outro lado, outra série de preconceitos afugenta-nos de considerar positivamente determinados meios investigativos – mesmo que milenares, presentes em tradições de inúmeros povos e de uso por outros animais além do mamífero humano (há relatos de javalis, que ingerem raízes de forte efeito psicoativo, se refestelando em seu “transe”). Esse “temor” é bem o caso das experimentações proporcionadas pelo tradicional xamanismo ou sua vertente mais contemporânea – e menos ligada a religiosidades instituídas –, a Psiconáutica.

Podemos ir além de vigílias e visões fortuitas de sinais anômalos no céu. O contato também pode estar numa dimensão onde é preciso abrir “as portas da percepção” (Huxley, parafraseando Blake) e adentrar em um espaço inusitado, insuspeito e, quiça, cheio de possibilidades de aprendizados. Mas, como em toda a vivência com sérios propósitos científicos, não se deve esquecer do devido cuidado e preparação, para não “escorregar” em ilusões e usos negativos e deletérios.

O conto Entrevista com um alienígena está na antologia Éden 4 e outras Histórias Fantásticas, publica em 2001 pela editora Record. Raposo possui outras obras, caso da ficção histórica interessantíssima Inca; ele também é tradutor das edições recentes da quadrilogia best-seller Asteca.

2 comentários:

Alexandre Raposo disse...

Caro Iuri, muito interessante a sua leitura de meu conto "Entrevista com um alienígena". E parabéns pela qualidade dos textos publicados em seu blog. Aproveito a oportunidade para convidá-lo a visitar meus dois blogs, onde encontrará informações sobre meu novo romance, resenhas de meus livros, detalhes sobre outros projetos literários além de muita literatura ligeira e saborosa. Aguardo você e seus comentários!

BLOGUE DO ESCRITOR
http://alexandreraposo.blogspot.com

FEIJOADA COMPLETA
http://completafeijoada.blogspot.com

Iuri J. Azeredo disse...

Que bacana isso! Valeu, Alexandre! Vou, sim, dar uma boa olhada nos teus blogs. Além de continuar lendo teus livros! O "Inca" li sem parar, tchê! Muita informação, coisas para pensar e emoção naquela leitura! Parabéns pelo teu trabalho e até mais!