7 de dez de 2012

Físico diz que conhecemos menos de um centésimo de milionésimo de bilionésimo do que compõe o universo (0,0000000000000001%)

Na coluna do físico George Matsas, na edição do mês de setembro passado da revista Ciência Hoje, ele fala do bóson de Higgs. E diz algo que me surpreendeu, que é o seguinte:

“(...) o bóson de Higgs está longe de completar o quebra-cabeça das partículas elementares. Argumentos teóricos sugerem que conhecemos menos de um centésimo de milionésimo de bilionésimo (10 na potência menos 15%) do conjunto total de peças [do atual Modelo Padrão das Partículas Elementares]. Assim, a menos que o restante do quebra-cabeça consista de uma enorme moldura branca de peças desinteressantes, ainda termos muito a aprender.”

Sim, “temos muito a aprender”... E mais: Matsas fala que, “De fato, dados provindos da astrofísica e da cosmologia têm indicado que aproximadamente 23% de toda a matéria do universo não é feita de prótons, nêutrons, elétrons, nem outras partículas do Modelo Padrão. Essa matéria desconhecida foi apelidada ‘matéria escura’, pois não é diretamente visível. (...) Tudo indica, portanto, que, no futuro, o Modelo Padrão terá de ser ampliado.”

Num parágrafo anterior, o físico, que é professor na Universidade Estadual Paulista, explica o que seria o tal Modelo Padrão: “O Modelo Padrão das Partículas Elementares (ou, simplesmente, Modelo Padrão) pode ser entendido como um grande quebra-cabeça. Cada peça representa uma partícula, enquanto a forma como se encaixam descreve a relação entre elas. Todas as partículas do Modelo Padrão que haviam sido teorizadas acabaram sendo encontradas. Faltava apenas o bóson de Higgs.”

Ou seja, apesar dos avanços, estamos a milhas e milhas (ou melhor, a anos e anos luz) de compreendermos todo o mistério da matéria ou energia ou seja lá o que componha o nosso cosmos, incluindo a nós mesmos. Entretanto, não sejamos apressados em “concluir” que “A FÍSICA” ou “A CIÊNCIA” confirmam que existe “algo além”. Certo, existe “algo além”, mas tudo indica que nada tenha a ver com fadas, santos, espíritos desencarnados e ETs do bem e do mal.

De qualquer modo, o tamanho descomunal do nosso desconhecimento enquanto humanos – e que gera tantas tentativas de explicação que remetem ao lendário, ao inabordável e ao irracionalismo – deve servir para não nos arrogarmos “senhores do universo” ou deste planeta que coabitamos com inúmeras espécies coirmãs (em termos de origem, lá no mesmo caldo primordial).

A ciência, por definição, cria explicações provisórias, ciente de suas falhas e sempre a pedir testes renovados. Mas o que dizer das religiões sectária (quase todas, infelizmente), que pretendem ter “a” explicação cabal, final, “imexível”, e, por isso, ditando o que é certo e errado para todo sempre? Na minha opinião, com exceções, são ideologias perversas, por limitarem as possibilidades do intelecto humano, além de reprimir outros tantos potenciais para o desfrute da vida. Em nome de Deus se cometem inúmeras barbaridades, incluindo a autoflagelação mental...

***Para ver todo o artigo de George Matsas, vai aqui o link: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/296

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